Santa Catarina registrou um aumento expressivo nos casos de feminicídios entre 1º de janeiro e 20 de abril de 2026. Segundo dados da Secretaria de Segurança Pública (SSP), o crescimento foi de 66,67% em comparação ao mesmo período de 2025. No ano passado, foram contabilizados 12 casos no estado, enquanto em 2026 o número já chega a 20 mortes de mulheres motivadas por violência de gênero.
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O cenário preocupa autoridades e especialistas da área, que apontam falhas na prevenção como um dos principais desafios no enfrentamento desse tipo de crime.
Para a presidente da Comissão Nacional de Combate à Violência Doméstica da OAB Nacional, Tammy Fortunato, os números reforçam a necessidade de ampliar ações educativas e preventivas.
Segundo ela, a violência contra a mulher ainda é subnotificada e pouco reconhecida em muitos contextos sociais.
“Se compararmos o mesmo período com o anterior, é, de fato, muito assustador. Falta informação para quem já é adulto, e isso podemos resolver por meio de capacitações em empresas e escolas para que as crianças também aprendam e repreendam [tais atos]”, destacou.
Os dados também revelam um padrão de concentração dos crimes em determinados períodos da semana. De acordo com o levantamento, quatro feminicídios ocorreram em menos de 48 horas, entre o sábado (18) e o domingo (19).
Especialistas explicam que finais de semana tendem a apresentar maior incidência desse tipo de violência, devido a fatores como convivência prolongada, consumo de álcool e drogas e aumento de conflitos domésticos.
“Porque é o dia em que as pessoas estão em casa, ingerem uma maior quantidade de bebida alcoólica ou entorpecentes e passam mais tempo convivendo. O uso do álcool eleva o nível de estresse; os freios inibitórios são rompidos e a pessoa acaba ficando mais agressiva, o que faz com que ocorram mais crimes de feminicídio, assim como em dias de jogos de futebol”, explicou Tammy Fortunato.

Perfil das vítimas e importância da denúncia
O painel de Violência Contra a Mulher em Santa Catarina, com dados até março de 2026, aponta que a maioria das vítimas tinha entre 35 e 39 anos e era ex-companheira do agressor. Outro dado alarmante mostra que em 83,3% dos casos não havia registro de boletim de ocorrência contra os autores.
Para especialistas, esse cenário reforça a importância da denúncia como ferramenta de proteção. Segundo a advogada consultada, o registro formal é um passo essencial para interromper o ciclo de violência.

“Quando elas registram um boletim de ocorrência, já ocorreu o primeiro passo, que é o de se reconhecer em situação de violência doméstica. A partir do momento que ela começa a se reconhecer nessa situação, ela toma certas medidas para que isso não venha a culminar no feminicídio, que é onde finaliza a violência contra a mulher. É o ponto final da violência” — afirmou.
O aumento dos casos de feminicídios em Santa Catarina reforça a urgência de políticas públicas mais eficazes, além da ampliação de redes de proteção e conscientização social para enfrentar a violência de gênero de forma estrutural e contínua.




