A ampliação da cota da pesca de arrasto de praia da tainha em Santa Catarina continua repercutindo entre pescadores e autoridades do setor. Um dia após a publicação da portaria que elevou o limite de captura de 1,3 mil para 1,7 mil toneladas, o Ministério da Pesca detalhou os critérios utilizados para autorizar a medida e indicou possíveis mudanças para a safra de 2027.
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Em entrevista ao NSC Total nesta sexta-feira (12), o ministro da Pesca e Aquicultura, Edipo Araújo, afirmou que a decisão foi construída a partir de análises técnicas, dados de monitoramento e diálogo com pescadores catarinenses. Segundo ele, o principal objetivo foi permitir que comunidades que ainda não haviam conseguido capturar tainha nesta temporada também tivessem oportunidade de participar da safra.
Histórico da pesca embasou decisão
De acordo com o ministro, após o encerramento da modalidade de arrasto de praia, foi constatado que diversos municípios, especialmente do Litoral Norte e também do Litoral Sul, registraram baixo desempenho na captura da espécie.
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Com base nos dados das últimas safras, o Ministério recalculou a média histórica da modalidade, chegando ao volume de 1.754 toneladas. A diferença entre esse número e a cota inicial de 1.332 toneladas resultou na ampliação de aproximadamente 430 toneladas.
Araújo destacou que a medida considerou fatores como o comportamento migratório da tainha, as condições climáticas favoráveis observadas neste ano e avaliações técnicas sobre o estoque da espécie.
Divisão regional pode virar regra
Outro ponto destacado pelo ministro foi a regionalização da nova cota. As 430 toneladas adicionais foram divididas entre os litorais Norte e Sul catarinenses, com 230 toneladas destinadas ao Norte e 200 toneladas ao Sul.

Segundo ele, a estratégia buscou garantir que pescadores de diferentes regiões tivessem acesso mais equilibrado ao recurso e evitasse a concentração das capturas em poucos municípios.
A experiência deste ano, conforme o ministro, poderá servir de base para a construção das regras da safra de 2027. A divisão regional das cotas surge como uma das alternativas que deverão ser debatidas nos próximos meses.
Garantia de renda também entra na pauta
Além da discussão sobre os limites de captura, o Ministério da Pesca pretende ampliar o debate sobre mecanismos de proteção econômica aos trabalhadores do setor.
Entre os temas que devem ganhar força para a próxima safra está a possibilidade de criação de políticas que garantam preços mínimos para a comercialização da tainha, oferecendo maior segurança financeira aos pescadores artesanais.
Ao final da entrevista, Araújo fez um apelo para que os profissionais realizem uma pesca responsável e permitam que comunidades que ainda não capturaram a espécie tenham a mesma oportunidade.




