A Justiça de Santa Catarina aceitou a denúncia do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) e tornou ré a mulher de 37 anos acusada de assumir a identidade de uma menina para enganar uma família em Joinville, no Norte do Estado. A decisão foi confirmada nesta terça-feira (9), e a investigada continuará presa enquanto o processo segue em andamento.
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O caso ganhou repercussão nacional após a descoberta de que a mulher teria vivido por mais de um ano sob uma identidade falsa, sendo acolhida por uma família que acreditava estar ajudando uma criança em situação de vulnerabilidade. Agora, ela responderá pelos crimes de estelionato e falsa identidade.
Ministério Público aponta esquema elaborado de manipulação
Conforme a denúncia apresentada pelo MPSC, a acusada criou a personagem fictícia “Gabriele Ferreira dos Santos” e passou a se apresentar como uma menina de 11 anos. Segundo as investigações, a estratégia tinha como objetivo sensibilizar pessoas para obter benefícios materiais e apoio financeiro.
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A ação penal sustenta que a mulher utilizou relatos de supostos abusos, maus-tratos e abandono familiar para conquistar a confiança das vítimas. Além disso, teria adotado comportamentos compatíveis com a identidade criada, incluindo fala infantilizada, demonstrações emocionais e o uso de objetos associados à infância.
De acordo com o Ministério Público, a família acolheu a suposta criança e passou a custear integralmente despesas com moradia, alimentação, transporte, medicamentos e outras necessidades do dia a dia.
A promotora de Justiça Viviane Soares destacou a gravidade da situação. “Os elementos colhidos indicam um esquema elaborado de fraude, com a criação de uma identidade fictícia e a manipulação emocional das vítimas para obtenção de vantagens indevidas, o que demanda a devida responsabilização criminal”, afirmou.

Descoberta ocorreu após buscas na internet
A fraude foi revelada após familiares das vítimas realizarem pesquisas na internet e encontrarem registros de ocorrências semelhantes envolvendo a investigada em outros estados.
Segundo a Polícia Civil, a mulher inicialmente se apresentou como uma jovem adulta em busca de emprego. Com o passar do tempo, alterou sua versão e afirmou ser uma criança vítima de violência e abandono. Sensibilizado com a história, o casal decidiu acolhê-la em casa.
Durante o período em que viveu com a família, ela participou da rotina familiar, recebeu festa de aniversário e teve acesso a tratamentos médicos, incluindo medicamentos de alto custo.
A prisão ocorreu no início de junho, quando as suspeitas foram confirmadas pelas autoridades.
Exame de sanidade mental poderá influenciar o processo
Paralelamente à ação penal, a Justiça determinou a abertura de um incidente de insanidade mental para avaliar as condições psicológicas da acusada.
O exame está marcado para o dia 26 de junho e foi solicitado pela defesa. A perícia deverá apontar se a mulher possuía plena capacidade de compreender seus atos no momento em que os fatos ocorreram.
Enquanto o laudo não for concluído, o processo permanecerá suspenso. Dependendo do resultado, a decisão poderá impactar diretamente o julgamento, inclusive com a possibilidade de aplicação de medidas de segurança em vez de pena criminal.

Investigação aponta casos semelhantes em outros estados
As apurações também indicam que a mulher teria utilizado estratégias semelhantes em diferentes regiões do Brasil.
Segundo o inquérito policial, há registros de situações envolvendo a investigada nos estados do Rio Grande do Sul, Paraná, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás e Ceará. Em Santa Catarina, ela também responde a uma ação penal em Chapecó por fatos considerados semelhantes.
As autoridades continuam reunindo informações para verificar a extensão das supostas fraudes e identificar possíveis novas vítimas.




