Alexandre de Moraes concede prisão domiciliar a Jair Bolsonaro por motivos de saúde

A medida vale por 90 dias, contados a partir da alta médica, e prevê tornozeleira eletrônica

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), atendeu, nesta terça-feira (24) a um pedido da defesa e autorizou a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado a 27 anos e três meses por tentativa de golpe de Estado.

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A decisão ocorre após a internação hospitalar de Bolsonaro em razão de broncopneumonia, doença que motivou a solicitação humanitária.

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Antes, pedidos semelhantes já haviam sido negados, mas a defesa reiterou o pedido depois do quadro clínico do ex-presidente, recebendo parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Prisão domiciliar temporária e medidas cautelares

Na decisão, Moraes determinou a prisão domiciliar temporária humanitária pelo prazo inicial de 90 dias, contados a partir da alta médica, com o objetivo de permitir a recuperação completa de Bolsonaro.

Ao término desse período, a situação será reavaliada, podendo haver nova perícia médica para definir a necessidade de manutenção da medida.

A domiciliar deve ser cumprida na residência do ex-presidente, com imposição de medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica.

Histórico da prisão e transferência

Bolsonaro foi preso em novembro do ano passado, antes do trânsito em julgado da sentença, após tentar romper a tornozeleira eletrônica enquanto estava em prisão domiciliar.

Posteriormente, ele foi transferido para a Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal e, em 15 de janeiro, passou para o 19º Batalhão da Polícia Militar, dentro do Complexo da Papuda, conhecido como Papudinha.

Defesa cita questões de saúde

A defesa argumentou que Bolsonaro apresentava pneumonia bacteriana, precisou de internação em UTI e apresenta histórico de doenças respiratórias, apneia do sono e outras comorbidades, exigindo monitoramento contínuo e resposta médica imediata.

Os advogados reforçaram que o ambiente prisional não oferecia condições ideais para esse acompanhamento, destacando que houve demora no atendimento médico em episódios recentes.

Laudos médicos e perícia da PF

Apesar dos pedidos anteriores, Moraes negou a domiciliar argumentando que as perícias da Polícia Federal mostravam que Bolsonaro recebia tratamento adequado na Papudinha.

Em fevereiro, a PF concluiu que ele não necessitava de cuidados hospitalares e podia permanecer na cela, que possui 64,83 metros quadrados, incluindo quarto, cozinha, banheiro, lavanderia, sala e área externa, com condições estruturais similares a um apartamento padrão de dois quartos.

O laudo apontou doenças cardiovasculares, respiratórias, gastrointestinais, metabólicas e neurológicas, além de histórico de cirurgias abdominais extensas.

Pressão política e articulações

Aliados de Bolsonaro, incluindo o senador Ciro Nogueira (PP-PI), o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) e o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, pressionaram ministros do STF para garantir a domiciliar. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) esteve junto a Moraes com os advogados do pai durante as tratativas.

Com a decisão, Bolsonaro passa a cumprir prisão domiciliar temporária, com acompanhamento médico contínuo e medidas de segurança, enquanto a situação será reavaliada ao fim dos 90 dias.

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Fonte:
Silvia Zatta | Portal RBV | Com informações O Globo

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