Os primeiros meses de 2026, ano eleitoral, já mostram movimentações importantes no cenário político de Santa Catarina. Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) revelam variações no número de filiações entre partidos de diferentes espectros ideológicos, com destaque para o crescimento de uma nova sigla ligada à direita liberal e também de partidos de esquerda com base mais reduzida.
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Entre janeiro e março, o maior crescimento percentual no Estado foi registrado pelo partido Missão, uma legenda criada recentemente a partir do Movimento Brasil Livre (MBL), grupo conhecido por defender pautas do liberalismo econômico e uma direita não alinhada ao bolsonarismo.
O partido saltou de 672 filiados em janeiro para 1.111 em março, o que representa uma alta de aproximadamente 65% no período analisado.
O desempenho chama atenção principalmente por se tratar de uma sigla ainda em fase de consolidação. O partido já se movimenta para as eleições de outubro e conta com nomes em articulação política no Estado e no cenário nacional.
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Segundo representantes da legenda, o crescimento reflete a adesão a propostas consideradas alternativas às siglas tradicionais.
Partidos de esquerda também registram avanço proporcional
Na segunda posição em crescimento percentual aparece a Unidade Popular (UP), que também ampliou sua base de filiados em Santa Catarina. O partido passou de 455 para 499 integrantes entre janeiro e março, registrando um aumento de cerca de 10%.
A legenda, que atua no campo da esquerda radical, também articula pré-candidaturas no Estado. Em Santa Catarina, a psicóloga Lais Chaud surge como nome cotado para disputar o governo estadual.

A direção estadual do partido atribui o crescimento à aproximação com movimentos sociais e ao reforço de uma linha ideológica mais à esquerda, que, segundo lideranças, vem sendo abandonada por outras siglas do mesmo campo político.
O Partido Comunista Brasileiro (PCB), que possui a menor base de filiados no Estado, com apenas 73 integrantes, também apresentou crescimento proporcional de cerca de 7%, mesmo com ganho absoluto reduzido. O aumento foi de cinco novos filiados no período.
Especialistas em análise política destacam que, embora os percentuais pareçam expressivos, eles precisam ser interpretados com cautela, já que partidos com bases pequenas tendem a apresentar variações mais acentuadas mesmo com pequenas adesões.
Partidos que mais cresceram filiações em SC de janeiro a março
- 1º MISSÃO — 1.111 filiados (+65%)
- 2º UP — 499 (+10%)
- 3º PCB — 73 (+7%)
- 4º PL — 69.622 (+4%)
- 5º DEMOCRATA — 349 (+4%)
- 6º NOVO — 6.248 (+3%)
- 7º REDE — 528 (+2%)
- 8º Republicanos — 20.977 (+1%)
- 9º PCdoB — 6.732 (+1%)
- 10º PSOL — 4.244 (+1%)

Grandes partidos mantêm estabilidade e PL lidera crescimento entre os maiores
Entre os partidos de maior estrutura em Santa Catarina, o MDB segue como o maior do Estado, com aproximadamente 179 mil filiados, mantendo estabilidade no início do ano. Outras legendas de grande porte também não apresentaram variações significativas no período analisado.
O destaque entre os grandes partidos ficou com o Partido Liberal (PL), que registrou o maior crescimento absoluto. A sigla, ligada ao ex-presidente Jair Bolsonaro e ao governador Jorginho Mello, passou de 67,1 mil para 69,6 mil filiados, um aumento de cerca de 2,5 mil adesões, o que representa crescimento de 4%.
Com esse resultado, o PL mantém a posição de quinta maior legenda em número de filiados no Estado. Segundo dados do levantamento, as demais siglas entre as dez maiores apresentaram variações discretas, mantendo estabilidade organizacional.

Cenário eleitoral começa a se desenhar em Santa Catarina
O período analisado coincide com a janela de movimentação partidária, quando detentores de mandato e lideranças políticas podem trocar de legenda visando as eleições de outubro.
Apesar disso, os dados ainda não incluem a totalidade das mudanças mais recentes, já que o prazo de filiação foi encerrado no início de abril e parte das informações ainda está em atualização no sistema do TSE.
O cenário aponta para uma reorganização gradual do mapa partidário catarinense, com novas siglas tentando consolidar espaço e partidos tradicionais mantendo suas bases estruturadas. Ao mesmo tempo, a disputa por visibilidade política já começa a se intensificar com foco nas eleições de 2026.




