Moradores da comunidade da Linha Tamanduá, no interior de Caçador, iniciaram uma mobilização para que a localidade deixe de pertencer ao município e passe a integrar Macieira. O assunto foi debatido durante uma reunião realizada na noite de quarta-feira (22), com a participação do presidente da Câmara de Vereadores de Macieira, Eduardo Tasca, convidado para orientar a comunidade sobre os procedimentos legais necessários para discutir a proposta.
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Segundo os moradores, a principal motivação para a mudança é a falta de infraestrutura e de atendimento por parte do poder público de Caçador. Eles afirmam que a proximidade com Macieira pode proporcionar respostas mais rápidas às demandas da comunidade.
O presidente da Linha Tamanduá, Juracir Moriggi, explica que a reivindicação não é recente e que as conversas sobre uma possível mudança começaram ainda em 2012. “Essa já é uma conversa que a gente tem desde 2012, sempre tentando melhorar a comunidade. Mas como a gente está meio abandonado, porque não tem estrada e não tem apoio por parte da Prefeitura, a comunidade resolveu pertencer a Macieira. Isso não é um questionamento político, e sim pelo interesse da comunidade”, explica.
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Moriggi destaca que a Linha Tamanduá possui forte atividade na produção de suínos, setor que exige boas condições de trafegabilidade para o escoamento da produção. “É uma comunidade que tem bastante investimento em granjas de suínos, e isso exige uma estrada boa. Sempre procuramos conversar com a administração de Caçador para melhorar essas estradas, mas nunca tivemos o atendimento conforme a comunidade precisa. Por isso surgiu essa decisão de buscar o desmembramento para Macieira”, comenta.
Câmara de Macieira orienta comunidade sobre os trâmites
De acordo com o presidente da Câmara de Vereadores de Macieira, Eduardo Tasca, a iniciativa partiu dos próprios moradores da Linha Tamanduá. Ele participou da reunião para esclarecer quais caminhos legais poderão ser seguidos caso a proposta avance.
Segundo Tasca, durante o encontro foram apresentados diversos problemas enfrentados pela comunidade, principalmente nas áreas de infraestrutura, educação e saúde. “Fomos procurados pela comunidade nesse anseio de se desvincular de Caçador e pertencer ao município de Macieira. Ouvimos várias colocações sobre infraestrutura, educação e saúde, onde eles entendem que Macieira estaria mais próxima para atender essas necessidades”.
O vereador ressaltou que o objetivo não é retirar território de Caçador, mas buscar uma solução que beneficie os moradores. “A gente deixou bem claro que não queremos tirar parte de Caçador para colocar em Macieira. Queremos proporcionar alguma coisa melhor para a comunidade. Sabemos que a Linha Tamanduá é importante para Caçador e também seria importante para Macieira.”
Comissão acompanhará estudos sobre a proposta
Conforme Eduardo Tasca, o próximo passo será a criação de uma comissão responsável por acompanhar os estudos e buscar orientação jurídica para verificar quais mecanismos legais poderão ser utilizados.
Entre as possibilidades estão a realização de um plebiscito ou uma adequação das divisas municipais, conforme previsto na legislação. “Vamos criar uma comissão para acompanhar os trabalhos. Vamos buscar conhecimento e aparato jurídico. Existem possibilidades, seja por plebiscito ou por uma adequação de divisas. Agora o trabalho começa a ser desenhado.”
Ele reforçou que qualquer decisão dependerá da vontade da população da comunidade. “O que prevalece é o interesse da comunidade e o interesse público. Nós apenas vamos intermediar o processo e verificar o que pode ser feito. Esse anseio é dos moradores, não dos políticos.”
Distância pesa na reivindicação
A Linha Tamanduá está localizada na divisa entre os municípios de Caçador e Macieira. Um dos argumentos apresentados pelos moradores é a diferença de distância entre as sedes municipais.
Enquanto o deslocamento até Caçador é de aproximadamente 40 quilômetros, o acesso até Macieira é de cerca de 15 quilômetros, fator apontado pela comunidade como um dos principais motivos para defender a mudança de município.
Caso a proposta avance, será necessário cumprir todas as etapas legais e jurídicas antes que qualquer alteração nos limites territoriais possa ser efetivada.






