O deputado Alfredo Gaspar (União Brasil-AL), relator da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), iniciou nesta sexta-feira (27) a leitura do parecer final elaborado pelo colegiado.
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O documento sugere o indiciamento de mais de 200 pessoas, entre elas parlamentares, ex-ministros, dirigentes de órgãos públicos e representantes de entidades associativas. Também está na lista o empresário Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), conhecido como “Lulinha” (veja os principais nomes abaixo).
Apesar da leitura já ter começado, o relatório ainda não representa a conclusão definitiva da CPMI. O texto precisa ser votado pelos integrantes da comissão, que decidirão pela aprovação — ou não — das propostas de indiciamento e demais recomendações apresentadas.
Pessoas com pedido de indiciamento
Filho do presidente
Fábio Luís Lula da Silva (Lulinha) — empresário e filho do presidente. De acordo com o relator, ele teria recebido repasses do “Careca do INSS” — apontado pela Polícia Federal como figura central no esquema de descontos indevidos — por intermédio da empresária Roberta Luchsinger, descrita como próxima de Lulinha.
Ex-ministros, integrantes e ex-integrantes de governos
Entre os nomes citados estão José Carlos Oliveira, que atualmente utiliza o nome Mohamad Oliveira Andrade, ex-ministro do Trabalho e Previdência no governo Jair Bolsonaro, apontado como facilitador de uma estrutura criminosa instalada na cúpula da administração previdenciária.
Também aparece Carlos Lupi, ex-ministro da Previdência no governo Lula, cujo indiciamento, segundo o relatório, estaria relacionado a omissão deliberada, prevaricação e proteção política a integrantes do alto escalão do INSS.
Outro citado é José Sarney Filho (Zequinha Sarney), ex-deputado federal e ex-ministro do Meio Ambiente nos governos Fernando Henrique Cardoso e Michel Temer, apontado como beneficiário de repasses milionários de origem investigada.
O relatório ainda inclui Pedro Alves Corrêa Neto, ex-secretário de Inovação do Ministério da Agricultura, e Vanessa Barramacher Tocantins, ex-chefe de gabinete do Ministério da Previdência, ambos apontados como integrantes do núcleo político-administrativo do esquema.
Parlamentares
Entre os parlamentares, são mencionados o deputado federal Euclydes Pettersen (Republicanos-MG), descrito como liderança política e beneficiário de vantagens indevidas; a deputada Gorete Pereira (MDB-CE), indicada como articuladora do grupo; e o senador Weverton Rocha (PDT-MA), apontado como suporte institucional da organização.
Representantes de instituições financeiras
O relatório também cita executivos ligados ao sistema financeiro, como Daniel Vorcaro, controlador do banco Master, e Artur Ildefonso Brotto Azevedo, do Banco C6 Consignado. Ambos são mencionados por supostas falhas de supervisão e governança.
Além deles, aparecem Augusto Ferreira Lima, do Banco Master, e Eduardo Chedid, do PicPay Bank, apontados como gestores com responsabilidade sobre operações ligadas a consignados e descontos considerados irregulares.
Dirigentes e ex-dirigentes de órgãos públicos
Diversos nomes ligados ao INSS, à Dataprev e a outras instituições públicas também constam no relatório. Entre eles estão Alan do Nascimento Santos, da Dataprev, e Alessandro Antônio Stefanutto, ex-presidente do INSS na atual gestão, apontado como figura central na estruturação do esquema.
Também são citados Leonardo Rolim, ex-presidente do INSS no governo Bolsonaro, e Glauco André Fonseca Wamburg, que ocupou o cargo no início do atual governo, ambos associados a decisões que teriam facilitado a expansão das irregularidades.
Outros nomes incluem André Paulo Félix Fidélis, Rogério Soares de Souza, Ina Maria Lima da Silva e Jucimar Fonseca da Silva, além de Rodrigo Ortiz D’Avila Assumpção, ex-presidente da Dataprev, citado por falhas de segurança e execução de comandos irregulares.
A lista ainda reúne Sebastião Faustino de Paula, Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho, Thaísa Hoffmann Jonasson, Wilson de Morais Gaby e Heitor Souza Cunha, apontados como participantes de diferentes níveis do esquema.
Operadores e dirigentes de entidades
Entre os operadores, está Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, apontado como figura central do esquema de descontos indevidos.
Também são mencionados Carlos Roberto Ferreira Lopes, presidente da Conafer; Aristides Veras dos Santos, ex-dirigente da Contag; e Marcos dos Santos Monte, descrito como responsável pela parte tecnológica da operação.
Outros nomes citados incluem Maurício Camisotti, Nelson Wilians Fratoni Rodrigues, Philipe Roters Coutinho, Rodrigo Moraes, Romeu Carvalho Antunes, Tânia Carvalho dos Santos e Roberta Moreira Luchsinger, apontados por participação em diferentes frentes, como operação financeira, suporte logístico e ocultação de patrimônio.
Discussões durante a sessão
A sessão foi marcada por momentos de tensão. Antes da leitura, parlamentares fizeram manifestações sobre os trabalhos da comissão. Ao iniciar sua fala, o relator mencionou uma declaração do ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso, feita em debate com Gilmar Mendes.
Durante a leitura, houve interrupções por parte de parlamentares da oposição, o que gerou troca de ofensas no plenário. Um pedido foi feito para que os xingamentos não constassem nos registros oficiais, mas foi negado pelo presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG).
Viana também rejeitou solicitações para retirar da sessão o deputado Lindbergh Faria (PT-RJ), citado pelo relator como responsável por ofensas.
Segundo Alfredo Gaspar, o relatório, finalizado durante a madrugada, possui cerca de 4.400 páginas e propõe o indiciamento de aproximadamente 220 pessoas. No início da leitura, estavam presentes 30 parlamentares, sendo 18 da base governista e 11 da oposição.
A sessão chegou a ser interrompida temporariamente devido à indisponibilidade do documento no sistema oficial da comissão. Embora a previsão inicial fosse de 15 minutos, os trabalhos foram retomados antes, após a publicação do relatório.
Entenda a CPMI do INSS
A CPMI do INSS foi instaurada para investigar suspeitas de descontos indevidos aplicados em benefícios previdenciários, especialmente por entidades associativas, sem autorização de aposentados e pensionistas.
O pedido de criação da comissão foi apresentado em 2025, após apurações da Polícia Federal (PF) e da Controladoria-Geral da União (CGU) indicarem a existência de um esquema bilionário.
A comissão foi instalada em 20 de agosto de 2025, sob presidência do senador Carlos Viana e relatoria do deputado Alfredo Gaspar. Os trabalhos tiveram início em 26 de agosto, com a aprovação do plano de atuação.
Ao longo de cerca de seis meses, foram ouvidos servidores, representantes de entidades, beneficiários afetados e integrantes de órgãos de controle. As investigações identificaram falhas nos mecanismos de autorização de descontos e na fiscalização do sistema.
Também foram autorizadas quebras de sigilos bancário, fiscal e telemático, além da análise de um grande volume de documentos e relatórios técnicos.
Nas semanas finais, houve impasse sobre a continuidade da CPMI, com discussões sobre a prorrogação do prazo. A questão chegou ao STF, que decidiu pela não extensão, determinando o cumprimento do prazo original.
Com isso, a leitura e votação do relatório devem ocorrer até este sábado (28). Caso haja pedido de vista, o presidente da comissão afirmou que poderá convocar uma reunião extraordinária para deliberar sobre o tema.

