O Brasil voltou a apresentar um desempenho negativo no Índice de Percepção da Corrupção (IPC) em 2025, elaborado pela ONG Transparência Internacional, mantendo sua pior colocação histórica. O país repetiu a segunda pior nota da série, com 35 pontos em uma escala de 0 a 100, na qual pontuações mais altas indicam maior percepção de integridade no setor público.
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O levantamento, divulgado nesta terça-feira (10), posicionou o Brasil na 107ª colocação entre 182 países avaliados, resultado que permanece abaixo tanto da média global quanto da média das Américas, ambas fixadas em 42 pontos.
A variação de apenas um ponto em relação ao ano anterior foi considerada estatisticamente irrelevante, o que indica estagnação no combate à corrupção.
Comparação internacional e cenário democrático
Segundo a Transparência Internacional, o Brasil continua distante dos países com melhor desempenho no ranking, como
- Dinamarca (89 pontos),
- Finlândia (88) e
- Singapura (84).
O relatório também aponta uma tendência preocupante: o aumento da percepção da corrupção em democracias consolidadas, incluindo
- Estados Unidos (64),
- Canadá (75),
- Nova Zelândia (81),
- Reino Unido (70),
- França (66) e
- Suécia (80).
Além do IPC, a ONG divulgou a Retrospectiva 2025, documento que alerta para o avanço do crime organizado dentro do Estado brasileiro.
O relatório cita casos de macrocorrupção, como os esquemas envolvendo o INSS e o Banco Master, destacando falhas estruturais no sistema financeiro e no setor jurídico.
Segundo a entidade, o caso Master exemplifica a infiltração de práticas ilícitas e a fragilidade dos mecanismos de controle.

Emendas, recomendações e resposta do governo
O relatório também chama atenção para o crescimento expressivo das emendas parlamentares, que ultrapassaram R$ 60 bilhões no orçamento de 2026, fenômeno classificado como “captura orçamentária” e que, segundo a ONG, se estende a estados e municípios.
Diante desse cenário, a Transparência Internacional apresentou recomendações aos três Poderes, defendendo mais
- transparência,
- fortalecimento de investigações financeiras,
- criação de código de conduta para o STF, c
- ontrole de supersalários,
- regulamentação do lobby e
- até a instalação de uma CPMI do Banco Master.
Apesar do quadro negativo, a organização reconheceu avanços, como operações baseadas em inteligência financeira conduzidas pela Receita Federal e pelo Ministério Público, além da rejeição da chamada “PEC da Blindagem” no Senado.
Em resposta, a Controladoria-Geral da União (CGU) questionou a metodologia do IPC e afirmou que o índice “não mede a ocorrência real de corrupção”, mas sim a percepção de grupos específicos.
O órgão destacou que “variações no ranking podem ocorrer sem que haja mudança efetiva na atuação do Estado” e reforçou que investigações em andamento, como no caso do INSS, demonstram maior capacidade de enfrentamento da corrupção.
A CGU concluiu afirmando que “o aumento das investigações e da transparência não significa mais corrupção, mas maior capacidade do Estado de enfrentá-la de forma efetiva”.




