A Defesa Civil de Videira já iniciou uma série de ações preventivas para minimizar os impactos que poderão ser causados pelo fenômeno El Niño, cuja maior intensidade está prevista para ocorrer entre os meses de novembro e janeiro. O trabalho inclui o mapeamento de áreas de risco, levantamento de pontos que poderão necessitar de desassoreamento e a preparação de estruturas para intervenções rápidas em caso de necessidade.
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De acordo com o Luiz Fernando Gardini, coordenador da Defesa Civil, cerca de sete pontos considerados estratégicos foram identificados ao longo do Rio das Pedras e também em trechos próximos ao Rio do Peixe. A intenção é realizar intervenções preventivas para melhorar a drenagem e reduzir possíveis transtornos à população em períodos de chuvas intensas.
Segundo o órgão, o município já está se organizando para participar de um processo licitatório que permitirá a contratação de máquinas e equipamentos necessários para executar serviços de desassoreamento e outras ações preventivas antes da chegada do fenômeno climático.
Planejamento busca evitar contratações emergenciais
A antecipação das medidas segue orientações de órgãos de controle e fiscalização. Conforme destacado por Gardini, o próprio Tribunal de Contas já recomendou que os municípios adotem ações preventivas para evitar a necessidade de contratações emergenciais durante períodos de crise. Embora a legislação permita procedimentos emergenciais em situações de desastre, a estratégia de Videira é agir com antecedência para garantir mais eficiência e segurança no enfrentamento de possíveis eventos climáticos extremos.
Ainda no início do ano, a administração municipal solicitou à Defesa Civil Estadual licenças para a realização de desassoreamentos em pontos específicos que, atualmente, não apresentam problemas significativos de vazão, mas que poderão se tornar críticos caso ocorram chuvas acima da média.
“A ideia é trabalhar sempre considerando o pior cenário possível, para reduzir prejuízos, garantir mais tranquilidade à população e evitar transtornos futuros”
Rio do Peixe possui características diferentes de outras regiões
Um dos pontos esclarecidos pela equipe técnica diz respeito às constantes comparações feitas entre o Rio do Peixe e rios de outras regiões catarinenses, especialmente o Rio Itajaí, frequentemente associado às enchentes registradas no Vale do Itajaí. Segundo o coordenador, apesar de ambos enfrentarem episódios de cheias, as características geográficas e hidrológicas são bastante diferentes.
O Rio do Peixe possui uma declividade significativamente maior, o que proporciona uma velocidade de escoamento muito superior. Enquanto em algumas regiões do Vale do Itajaí a água permanece represada por vários dias após uma enchente, em Videira o nível do rio costuma baixar rapidamente após o fim das chuvas.
Essa diferença ocorre devido à grande variação de altitude entre a nascente e a foz do Rio do Peixe, fator que aumenta a velocidade e a força da água durante eventos de cheia. Outro tema frequentemente debatido pela população é a possibilidade de realizar grandes obras de desassoreamento no Rio do Peixe para evitar alagamentos. No entanto, a Defesa Civil alerta que a questão exige cautela e estudos aprofundados.
Segundo os técnicos, o desassoreamento pode aumentar a capacidade de vazão do rio, mas também pode elevar significativamente a velocidade da água, ampliando os riscos de erosão e danos às áreas ribeirinhas. Por esse motivo, qualquer intervenção de grande porte precisa considerar não apenas a redução de alagamentos, mas também os impactos que a alteração do fluxo da água poderá causar em outras regiões.

