A educação infantil de Videira enfrenta desafios relacionados à falta de vagas em creches e à escassez de servidores, cenário que motivou uma reunião de autocomposição promovida pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC). O encontro reuniu representantes do Poder Executivo, Conselho Tutelar, Sindicato dos Servidores Municipais, Conselho de Educação e diretoras de unidades de educação infantil, com o objetivo de discutir soluções conjuntas para o problema.
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A reunião ocorreu na sede das Promotorias de Justiça de Videira e foi conduzida pelo promotor de Justiça da 1ª Promotoria da comarca e integrante do Grupo de Atuação Especializado em Educação (GAEDUC), Lucas Broering Correa.
Durante o encontro, ele abriu espaço para que cada instituição apresentasse suas dificuldades e ressaltou a necessidade de um diagnóstico amplo para a construção de respostas efetivas.
“Não há solução isolada para um problema estrutural como esse. É preciso reconhecer a dimensão real da demanda, ouvir todos os envolvidos e, a partir disso, construir respostas responsáveis e viáveis. O que está em jogo aqui não é apenas a gestão de vagas, mas o direito fundamental de crianças ao acesso à educação desde os primeiros anos de vida, e isso não pode ser relativizado nem postergado”, destacou o Promotor de Justiça.
Fila de espera e impacto nas famílias preocupam autoridades
Atualmente, 110 crianças aguardam vagas nas creches do município de Videira, o que tem exigido atuação mais intensa do Conselho Tutelar para garantir o direito constitucional à educação infantil. Além disso, o cenário pressiona as secretarias municipais e o Conselho de Educação na busca por ampliação da oferta de vagas.
Outro ponto debatido foi a escassez de servidores nas unidades de educação infantil. Segundo o Poder Executivo, o problema está relacionado ao número de afastamentos por questões de saúde. Já o Sindicato dos Servidores Municipais alerta que a sobrecarga de trabalho tem contribuído para o aumento desses afastamentos, agravando ainda mais a situação.
Possível acordo judicial e soluções estruturais
Após cerca de duas horas de discussão, os participantes foram unânimes ao reconhecer que apenas uma atuação integrada poderá enfrentar o problema de forma eficaz. Nesse sentido, o promotor Lucas Broering Correa estuda a elaboração de um acordo judicial, no qual cada parte envolvida assumiria responsabilidades com prazos definidos para cumprimento.
O objetivo é estabelecer planos de curto, médio e longo prazo que resultem em melhorias concretas na rede de ensino infantil. A proposta busca garantir que o direito à educação seja efetivado de forma contínua e estruturada, evitando que o problema se prolongue.
GAEDUC e a atuação na educação
O Grupo de Atuação Especializado em Educação (GAEDUC) do MPSC atua como apoio técnico estratégico na defesa do direito à educação em Santa Catarina. O órgão auxilia promotores na análise de demandas complexas, promove articulação entre instituições e incentiva soluções extrajudiciais, como a autocomposição.
Na prática, o grupo busca não apenas resolver problemas pontuais, mas também promover melhorias estruturais no sistema educacional, com foco na garantia de acesso, permanência e qualidade da educação básica.
Autocomposição como ferramenta de solução
A autocomposição, método utilizado pelo MPSC, se baseia no diálogo e na construção conjunta de soluções entre os envolvidos, com apoio institucional. O objetivo é reduzir conflitos judiciais e alcançar resultados mais rápidos e eficazes.
Coordenada pelo Núcleo Permanente de Incentivo à Autocomposição (NUPIA), essa prática envolve técnicas como mediação e negociação, permitindo soluções mais humanizadas e duradouras. Dessa forma, o MPSC busca fortalecer o diálogo institucional e garantir respostas mais efetivas para problemas coletivos como o enfrentado pela educação infantil em Videira.

