O Governo de Santa Catarina anunciou que vai recorrer à Justiça para tentar reverter a decisão do Ministério da Pesca e Aquicultura que determinou o encerramento da pesca de arrasto da tainha no litoral catarinense em 2026. A medida foi comunicada neste domingo (7), após o governo federal informar que a modalidade atingiu 90% da cota permitida para a temporada.
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Segundo o Ministério da Pesca, o limite estabelecido para a captura era de 1.332 toneladas. Com o percentual alcançado, a atividade foi encerrada antes do prazo tradicional, provocando reação imediata de pescadores, lideranças do setor e autoridades catarinenses.
A Secretaria de Estado da Pesca e Aquicultura acompanha o caso e já iniciou a análise dos desdobramentos da decisão. O governador Jorginho Mello autorizou o ingresso de uma ação judicial em defesa dos profissionais que dependem da atividade para garantir renda durante a safra.
Governo afirma que medida prejudica trabalhadores do litoral
De acordo com o Executivo estadual, a suspensão antecipada impacta diretamente centenas de famílias ligadas à pesca artesanal ao longo da costa catarinense.
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Além da importância econômica, o governo destaca o valor histórico e cultural da pesca da tainha para as comunidades tradicionais do litoral. A prática é considerada uma das manifestações mais representativas da herança açoriana em Santa Catarina e atravessa gerações há mais de dois séculos.
A temporada da tainha normalmente ocorre entre os meses de maio e julho. Neste ano, porém, a pesca de arrasto foi interrompida após apenas 38 dias de atividade.
Setor pesqueiro reage à decisão
A determinação provocou insatisfação entre pescadores e representantes da cadeia produtiva. Muitos defendem que a discussão vai além das questões econômicas e envolve a preservação de uma tradição histórica que faz parte da identidade cultural catarinense.
Lideranças do setor avaliam que o encerramento antecipado compromete o planejamento da temporada e gera insegurança para trabalhadores que dependem da safra para complementar a renda anual.

Reunião em Bombinhas discutirá próximos passos
Diante do cenário, representantes de ranchos de pesca e secretários municipais da área pesqueira da região da Associação dos Municípios da Foz do Rio Itajaí (Amfri) programaram uma reunião para esta segunda-feira (8), em Bombinhas.
O encontro tem como objetivo avaliar os impactos da decisão federal e definir estratégias conjuntas de mobilização. Entre as medidas previstas está a elaboração de uma carta de apelo ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, solicitando a revisão da determinação e a retomada da pesca de arrasto da tainha.
Tradição movimenta economia e turismo
A pesca da tainha é considerada um dos símbolos do litoral catarinense. Todos os anos, milhares de moradores e turistas acompanham os tradicionais lanços realizados nas praias do Estado.
Além de movimentar a economia local por meio da comercialização do pescado, a atividade impulsiona o turismo e fortalece manifestações culturais ligadas às comunidades pesqueiras.
Agora, o setor aguarda os desdobramentos da ação judicial anunciada pelo governo estadual e o posicionamento das autoridades federais sobre os pedidos de revisão da medida.




