Teve início às 7h30 desta quinta-feira (10), no Fórum da Comarca de Caçador, o julgamento de Eloid da Cruz Antunes, acusado do assassinato e da ocultação do cadáver de sua companheira, a advogada Karize Ana Fagundes Lemos.
PARTICIPE DO NOSSO GRUPO NO WHATSAPP E RECEBA NOTÍCIAS
A sessão é considerada uma das mais aguardadas na região e é presidida pela magistrada Nathana Campos Dias de Souza. A previsão é de que os trabalhos se estendam até a madrugada da sexta-feira.
O Conselho de Sentença é formado por sete jurados, sendo quatro mulheres e três homens. Ao longo do julgamento, estão previstos os depoimentos de sete testemunhas: cinco indicadas pela acusação e duas pela defesa. Depois das oitivas, o réu deverá ser interrogado, o que está previsto para ocorrer durante a tarde.
Testemunhas prestam depoimento
A acusação é conduzida pelos promotores de Justiça Marco Antônio Vargas Sandi e Diego Bertoldi, com auxílio dos advogados assistentes Felipe Tocuda e Francielle Xavier. A defesa de Eloid está sob responsabilidade do advogado André Paschoal.
A primeira testemunha ouvida foi o delegado Marcelo Ricardo Colaço, que era responsável pelas investigações na época do crime. Ele apresentou detalhes sobre os procedimentos adotados durante a apuração das circunstâncias da morte de Karize e as buscas realizadas para localizar o corpo da vítima.
Na sequência, prestou depoimento um amigo pessoal da advogada, cuja identidade foi preservada em razão do segredo de justiça do processo. Ele afirmou conhecer Karize desde que ela se mudou para Caçador, por volta dos 20 anos, e descreveu a vítima como uma pessoa “honesta e bondosa”.
Segundo a testemunha, Eloid demonstrava ciúmes da relação de amizade existente entre os dois. O depoente também relatou que trocou mensagens com o perfil de Karize no dia 29 de setembro de 2024. Entretanto, afirmou ter desconfiado de que as respostas poderiam estar sendo enviadas pelo próprio Eloid.
Durante o depoimento, a acusação reproduziu um áudio no qual Karize relatava problemas relacionados à conduta do companheiro. Na gravação, ela dizia que, mesmo estando convalescente após um procedimento médico, o acusado insistia em manter contato sexual.
Outro aspecto citado durante a oitiva foi o desaparecimento dos gatos da vítima depois do crime. Conforme os relatos apresentados, o réu também demonstrava ciúmes da maneira como Karize tratava os animais.

Acusação aponta quatro qualificadoras
De acordo com a denúncia apresentada pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), o crime aconteceu em 28 de setembro de 2024, no interior da residência onde o casal morava.
A acusação sustenta que Karize foi asfixiada enquanto se recuperava de um procedimento médico e estava sem condições físicas de exercer sua defesa. A motivação apontada seria o ciúme, dentro de um contexto de violência doméstica.
Depois do homicídio, segundo a denúncia, o corpo teria sido retirado da residência e transportado para uma área de mata nas proximidades de Palmas (PR).
Os restos mortais foram encontrados aproximadamente 40 dias depois, já em avançado estado de decomposição.
Eloid responde por homicídio com quatro qualificadoras: feminicídio; motivo torpe; emprego de asfixia; e recurso que dificultou a defesa da vítima.
Além da acusação de homicídio, ele também responde pelo crime de ocultação de cadáver.
O réu está preso preventivamente desde 30 de setembro de 2024, quando foi localizado e detido na cidade de Guaíra (PR).




