O homem preso após o acidente que matou uma adolescente de 15 anos e deixou a irmã gêmea dela em estado gravíssimo, na noite desta terça-feira (15), em Criciúma, foi identificado como Lênio Leonides da Cunha.
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A colisão aconteceu na Rodovia Luiz Rosso, no bairro Quarta Linha. Conforme informações levantadas pelo Jornal Razão, Lênio possui um histórico criminal que se estende por pelo menos 20 anos, com 33 registros policiais, uma condenação definitiva por homicídio e duas prisões preventivas nos últimos nove meses.
Na noite do acidente, ele conduzia um Toyota Corolla XEi preto que atingiu a traseira de um Fiat Uno Mille, onde estavam as duas adolescentes. A batida ocorreu em frente a uma borracharia da Quarta Linha.
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Uma testemunha relatou que o Corolla trafegava em alta velocidade e havia passado por uma lombada pouco antes da colisão. Segundo a Polícia Militar, Lênio apresentava sinais compatíveis com embriaguez, como odor de álcool, fala arrastada, olhos avermelhados e dificuldade para caminhar. Ele também se recusou a realizar o teste do bafômetro.
As informações repassadas à polícia logo após a ocorrência indicavam que o motorista tentava deixar o local. Quando a guarnição da Polícia Militar chegou, ele estava sendo contido por pessoas que estavam na rodovia.
Ainda conforme os relatos, o Corolla teria atingido um muro minutos antes do acidente e continuado pelo trajeto.
As duas irmãs ficaram presas às ferragens do Uno. Uma delas não resistiu aos ferimentos e morreu ainda no local. A irmã gêmea foi retirada pelos bombeiros e encaminhada ao Hospital São José em estado gravíssimo.
Outros dois homens estavam no automóvel, incluindo Lênio. Eles também receberam atendimento médico.
O motorista sofreu ferimentos leves no nariz e foi encaminhado à UPA da Próspera. Após receber alta, foi conduzido à delegacia.
A ocorrência foi inicialmente registrada como homicídio culposo e lesão corporal culposa na direção de veículo automotor. A situação será submetida à análise da Justiça durante a audiência de custódia.

Condenação por homicídio
O episódio mais grave registrado no histórico de Lênio ocorreu em 2006. De acordo com a investigação, ele entrou no Bar do Rocha e efetuou disparos com um revólver de cano curto contra Sírio Pube Matick, de 41 anos, que morreu no estabelecimento.
O processo relacionado ao homicídio chegou ao Tribunal do Júri somente dez anos depois do crime. Em 16 de novembro de 2016, Lênio foi condenado pelo Tribunal do Júri de Criciúma por homicídio simples.
A pena estabelecida foi de seis anos de reclusão, inicialmente em regime semiaberto. Na sentença, a Justiça não autorizou a substituição da prisão por uma pena alternativa.
Apesar da condenação, Lênio pôde recorrer em liberdade, já que havia acompanhado o processo solto e não havia registro de incidentes durante esse período.
A prisão ocorreu somente após o trânsito em julgado da condenação. Em setembro de 2020, o Tribunal de Justiça expediu o mandado, que foi cumprido em outubro daquele ano. Lênio foi encaminhado ao Presídio Regional de Criciúma.
Pena foi encerrada em 2024
Lênio deixou o sistema prisional em março de 2021, passando a cumprir medidas cautelares. Em dezembro daquele ano, conseguiu progressão para o regime aberto.
Posteriormente, em abril de 2024, a Justiça declarou extinta a pena referente à condenação pelo homicídio.
A liberdade, porém, foi seguida por novos registros policiais. Em dezembro de 2025, Lênio voltou a ser preso após um episódio envolvendo uma ex-companheira.
Segundo a polícia, ele teria ido até a residência da mulher nas primeiras horas da manhã, gritado em frente ao imóvel e não aceitado o término do relacionamento. Ainda conforme o relato policial, ele teria ameaçado a ex-companheira com uma faca, entrado no pátio e chutado a porta da casa.
Em 2 de agosto de 2026, pouco mais de um mês antes do acidente na Quarta Linha, Lênio foi preso novamente. Dessa vez, a ocorrência também envolveu uma denúncia de ameaça.
No dia seguinte, o Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Criciúma transformou o flagrante em prisão preventiva.
Não há informação pública sobre a data em que ele teria deixado a prisão.
Processo de suspensão da CNH
Além do histórico criminal, a situação de Lênio como motorista também já estava sendo acompanhada pelos órgãos estaduais de trânsito.
Um edital publicado no Diário Oficial de Santa Catarina em 10 de abril deste ano mostra que a Ciretran de Criciúma havia instaurado procedimento para suspender o direito de dirigir de Lênio. A medida ocorreu após ele ultrapassar o limite de pontos permitido na carteira.
Investigação
A Polícia Civil deverá aprofundar a investigação para esclarecer todas as circunstâncias do acidente que matou a adolescente e deixou a irmã gêmea gravemente ferida.
Com base nos elementos reunidos até agora, o motorista poderá responder por crimes relacionados ao acidente, incluindo homicídio e lesão corporal no trânsito, com eventual agravamento relacionado à suspeita de embriaguez.



