Após um julgamento que se estendeu por cerca de 40 horas, a Justiça condenou três homens pelo assassinato de um empresário ocorrido em 2016 no município de Pinhalzinho, no Oeste de Santa Catarina. Entre os condenados está o sogro da vítima, apontado como o responsável por planejar e encomendar o crime.
PARTICIPE DO NOSSO GRUPO NO WHATSAPP E RECEBA NOTÍCIAS
A sessão do Tribunal do Júri teve início na manhã de quinta-feira (28) e foi encerrada por volta da meia-noite deste sábado (30), exatamente dez anos após o homicídio. Além do mandante, outros dois acusados foram considerados culpados por executar o crime.
Na época dos fatos, vítima e sogro mantinham uma sociedade em uma empresa do ramo de gramados. As investigações apontaram que uma desavença entre os dois ocorreu cerca de duas semanas antes do assassinato. Conforme sustentado pelo Ministério Público, o sogro teria oferecido entre R$ 50 mil e R$ 70 mil aos executores para eliminar o genro.
Durante o julgamento, o promotor de Justiça Edisson de Melo Menezes destacou que o acusado elaborou uma estratégia para atrair a vítima até um local afastado.
“O mandante não teria condições de assassinar o seu genro por conta própria. Por isso, se fez necessário armar um plano. Ele sabia que, com a expectativa de fechar um novo negócio, a vítima seria imediatamente atraída para o local isolado onde foi surpreendida pelos executores.”
As apurações também identificaram diversas ligações telefônicas trocadas entre o suposto mentor do crime e os executores no dia 30 de maio de 2016, elemento considerado importante para comprovar a participação conjunta dos envolvidos.
Ao longo dos trabalhos do júri, foram ouvidas várias testemunhas. Entre elas, a filha do acusado e viúva da vítima, que prestou depoimento favorável ao pai. Também foi ouvido um homem que, segundo a acusação, teria sido convidado a participar do plano criminoso, mas recusou o envolvimento e passou a contar com proteção judicial.
Os três réus foram condenados por homicídio duplamente qualificado. O sogro recebeu a qualificadora de motivo torpe, enquanto os executores responderam pela promessa de recompensa. A condenação também levou em consideração a utilização de dissimulação e emboscada para a prática do crime.
Um quarto acusado foi absolvido da participação no homicídio, mas condenado por auxiliar na ocultação do cadáver. A pena fixada para ele foi de um ano de reclusão em regime aberto.
Pelas decisões do Conselho de Sentença, o mandante do crime foi condenado a 16 anos de prisão. Os outros dois envolvidos receberam penas de 14 e 15 anos de reclusão.
Crime ocorreu após falsa proposta de negócio
Segundo a investigação, a vítima saiu de casa após receber uma ligação informando sobre um suposto pedido urgente de orçamento para instalação de gramado em uma subestação de energia elétrica. A proposta, porém, fazia parte da armadilha montada pelos criminosos.
Ao chegar ao local combinado, o empresário foi surpreendido e morto com golpes na cabeça. Seu veículo foi localizado no dia seguinte, mas o paradeiro do corpo permaneceu desconhecido por cerca de 20 dias.
Posteriormente, os restos mortais foram encontrados às margens da rodovia SC-160, entre os municípios de Saltinho e Campo Erê. O corpo estava em avançado estado de decomposição, com mãos e pés amarrados, reforçando a tese de execução premeditada apresentada pela acusação.

