Em 2026, completam-se quatro anos da tragédia registrada em Laguna, no litoral sul de Santa Catarina, que resultou na morte de três pessoas e teve forte repercussão no município de Caçador e em diferentes regiões do Estado. O episódio segue presente na memória coletiva, tanto pelo impacto humano quanto pelas consequências deixadas na vida pública local.
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O acidente ocorreu na tarde do dia 14 de janeiro de 2022, quando uma lancha com sete ocupantes naufragou no canal dos Molhes da Barra, em Laguna. Entre as vítimas estavam o então vereador de Caçador, Ricardo de Moraes Barbosa, filiado ao PSDB, de 48 anos, o filho dele, Michel Ricardo de Moraes Barbosa, de 25 anos, e o amigo da família Deyvid Fernandes, de 29 anos.
Ricardo Barbosa chegou a ser resgatado pelas equipes de socorro, mas não resistiu. Michel ficou desaparecido no mar por vários dias, em um período marcado por buscas intensas ao longo do litoral catarinense, acompanhadas com apreensão por familiares, amigos e pela comunidade caçadorense. O corpo do jovem foi localizado no dia 03 de fevereiro daquele ano, encerrando um período de incerteza e dor para família e amigos. Deyvid Fernandes morreu ainda no local do naufrágio. Outras quatro pessoas que estavam na embarcação sobreviveram.
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A confirmação das mortes causou comoção imediata em Caçador. A perda simultânea de um vereador em exercício, do filho e de um amigo próximo abalou a cidade e mobilizou manifestações de pesar de autoridades, entidades, lideranças políticas e moradores. Missas, homenagens e atos de solidariedade marcaram os dias seguintes ao acidente.
No campo político, a morte de Ricardo Barbosa teve impacto direto. Vereador atuante e uma das principais lideranças do PSDB no município, ele exercia papel relevante nas articulações internas do partido e nos debates do Legislativo. Reconhecido pelo diálogo com diferentes setores da sociedade, mantinha presença constante nas discussões sobre os rumos do município.
À época, havia expectativa em torno de seu futuro político. Dentro do partido, era visto como um nome em ascensão, com potencial para ampliar sua atuação e assumir novos desafios no cenário local. A morte representou não apenas a perda de um mandato, mas também a interrupção de um projeto político em construção, exigindo reorganização interna da sigla e mudanças na dinâmica do Legislativo municipal. Quem assumiu a cadeira de vereador no lugar de Ricardo foi o primeiro suplente do PSDB, vereador Paulo Nazário, conhecido como Soró.
A ausência de Ricardo foi sentida no cotidiano da Câmara de Vereadores, onde mantinha participação ativa, e também nas bases comunitárias com as quais dialogava. Para aliados e adversários políticos, a tragédia deixou um vazio difícil de ser preenchido, tanto pelo papel institucional quanto pela relação construída com a comunidade.





