A Venezuela chegou neste sábado (27) ao terceiro dia consecutivo de buscas por vítimas do terremoto que atingiu o país na última quarta-feira (25). Enquanto equipes de resgate seguem tentando localizar sobreviventes sob os escombros, o governo ainda aguarda a chegada de reforços internacionais para ampliar as operações de salvamento nas regiões mais devastadas.
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De acordo com o balanço preliminar divulgado pelas autoridades venezuelanas, ao menos 920 pessoas morreram em consequência dos tremores. Outras 3.360 ficaram feridas e cerca de 4 mil perderam suas casas. Além disso, aproximadamente 400 edificações sofreram danos severos ou desabaram completamente.
Apesar dos números oficiais, a dimensão da tragédia pode ser significativamente maior. O Escritório de Ajuda Humanitária da Organização das Nações Unidas (ONU) estima que mais de 50 mil pessoas ainda estejam desaparecidas, o que eleva a preocupação sobre a real extensão do desastre.
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Moradores das áreas mais atingidas relataram que passaram a sexta-feira (26) tentando remover destroços por conta própria, diante da presença limitada de equipes de resgate governamentais. A escassez de assistência tem aumentado a angústia de familiares que seguem procurando parentes desaparecidos.
Especialistas em resposta a desastres destacam que as primeiras 48 a 72 horas após um terremoto representam o período mais favorável para encontrar sobreviventes. Ainda assim, esse intervalo pode ser prolongado em situações nas quais as vítimas tenham acesso a água e alimentos enquanto permanecem soterradas.
Na noite de sexta-feira, o governo anunciou restrições de acesso a La Guaira, cidade considerada o epicentro da destruição. Segundo as autoridades, a medida busca reduzir o congestionamento e facilitar o trabalho das equipes de emergência, que enfrentavam dificuldades para atuar devido ao intenso fluxo de veículos.
Representantes do governo informaram que a entrada na região passará a depender de autorização oficial, embora ainda não tenham detalhado quais pessoas ou instituições poderão acessar a área isolada.
Ao mesmo tempo, a mobilização internacional cresce. Diversos países enviaram ou anunciaram o envio de equipes especializadas em busca e resgate, além de ajuda humanitária para atender a população afetada.
O Brasil também participa da operação. Na sexta-feira, uma aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB) decolou transportando profissionais especializados e carregamentos de assistência humanitária. A previsão é de que um hospital de campanha seja enviado ao território venezuelano neste sábado para reforçar o atendimento às vítimas.
Enquanto as buscas continuam, um novo tremor de magnitude 4,9 foi registrado na sexta-feira em Caracas. Embora tenha sido menos intenso do que os abalos que desencadearam a tragédia, o sismo elevou a preocupação das autoridades, já que muitas construções permanecem comprometidas e podem sofrer novos desabamentos.
Diante do cenário de calamidade, a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, anunciou que o governo vai “militarizar” as regiões mais afetadas pelo desastre. Entre elas está La Guaira, localizada na região costeira próxima a Caracas, que integra a “zona de desastre” oficialmente decretada pelas autoridades venezuelanas.

