Conselho da Petrobras elege Caio Mário Paes de Andrade como novo presidente

Segundo comunicado, indicado pelo governo terá mandato no comando da petroleira até 13 abril de 2023

O Conselho de Administração da Petrobras elegeu nesta segunda-feira (27) Caio Mário Paes de Andrade como o novo presidente da empresa, conforme antecipado pelo Blog do Valdo Cruz.

“A Petróleo Brasileiro S.A. – Petrobras, informa que seu Conselho de Administração, em reunião realizada hoje, por maioria, nomeou o Sr. Caio Mário Paes de Andrade como Conselheiro de Administração da Petrobras até a próxima Assembleia Geral de Acionistas e o elegeu para o cargo de Presidente da companhia, este último com prazo de mandato até 13/04/2023”, informou a Petrobras, em comunicado.

Segundo a assessoria de imprensa da estatal, Paes de Andrade assumirá a presidência assim que assinar o termo de posse, cuja data ainda não foi informada.

Atual secretário de desburocratização do governo federal, Andrade irá substituir José Mauro Coelho no comando da companhia. Mauro Coelho pediu demissão no dia 20 depois de ser pressionado pelo governo Jair Bolsonaro por causa do alta dos preços dos combustíveis.

Após a renúncia de Coelho, a Petrobras nomeou o diretor executivo de Exploração e Produção da companhia, Fernando Borges, como presidente interino, destacando que ele ficaria no comando da companhia até a posse do novo presidente na estatal.

Estatal sob pressão do governo

 

Paes de Andrade foi indicado pelo ministro de Minas e Energia, Adolfo Sachsida, que está no comando da pasta desde 11 de maio, mas a troca tinha esbarrado nos trâmites legais definidos para a substituição.

A Petrobras explicou que em razão da renúncia de José Mauro Coelho, o cargo que ficou vago no conselho de administração pode ser preenchido por substituto eleito pelo colegiado e que o Estatuto Social da empresa prevê que o presidente da companhia é eleito pelo Conselho de Administração dentre seus membros, não sendo necessária convocação de assembleia de acionistas para Paes de Andrade assumir a presidência.

De olho na reeleição, Bolsonaro elevou o tom das críticas contra a administração da Petrobras em razão dos reajustes nos preços dos combustíveis e chegou a chamar de “estupro” o lucro da estatal.

Como fica a política de preços?

 

Na sexta-feira, o Comitê de Elegibilidade analisou a indicação do governo com base nas regras de governança da companhia e na legislação aplicável e concluiu que Andrade preenche requisitos e não tem vedações para assumir os cargos de conselheiro e presidente da empresa.

O indicado disse ao Comitê de Elegibilidade (Celeg) da companhia que não recebeu orientações do governo em relação à mudança da política de preços da estatal. Andrade, porém, recusou um convite do Conselho de Pessoas da estatal para dar explicações sobre mudanças na política de preços dos combustíveis.

De acordo com Andréia Sadi, colunista do g1, a aposta do governo é que, uma vez na cadeira, Andrade troque a diretoria da estatal e garanta um intervalo entre os reajustes dos combustíveis, evitando novas altas até o primeiro turno da eleição.

Em 17 de junho, a Petrobras anunciou uma alta de 5,18% na gasolina e de 14,26% no diesel nas refinarias. Levantamento da Abicom mostra que, mesmo com o reajuste da Petrobras, o preço da gasolina nas refinarias no mercado doméstico ainda estava nesta segunda-feira (27) com uma defasagem de 10% em relação à paridade de importação, e o diesel, de 9%.

Currículo

 

Além do cargo no Ministério da Economia, Paes de Andrade tem formação em comunicação social pela Universidade Paulista, pós-graduação em administração e gestão pela Universidade de Harvard e é mestre em administração de empresas pela Universidade Duke, nos Estados Unidos.

De acordo com currículo publicado pelo Ministério da Economia, Andrade já foi diretor-presidente do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), empresa pública de tecnologia de informação responsável, por exemplo, pela triagem dos cadastros do auxílio emergencial.

Andrade liderou mais de 20 processos de M&A (fusões e aquisições) e é fundador e conselheiro do Instituto Fazer Acontecer, organização com foco na transformação social de crianças e adolescentes do semiárido baiano com base no esporte. Ele passou da iniciativa privada para a área pública em 2019.

Fonte: G1
Foto: Edu Andrade/Ministério da Economia