Museu com mais de 10 mil artrópodes reabre em Caçador

Museu entomológico da Estação Experimental da Epagri em Caçador possui um dos mais importantes acervos de Santa Catarina.

Depois de um ano e oito meses sem receber visitas por conta de pandemia, um dos maiores e mais importantes museus entomológicos de Santa Catarina reabriu suas portas. O museu, mantido pela Epagri na Estação Experimental de Caçador ganhou um novo espaço e agora fica em uma sala própria para receber os visitantes e compartilhar conhecimento sobre mais de 10 mil exemplares de artrópodes da fauna brasileira.

Acompanhe na reportagem de Angélica Alves:

SAIBA MAIS

Depois de um ano e oito meses sem receber visitas por conta de pandemia da Covid-19, um dos maiores e mais importantes museus entomológicos de Santa Catarina reabre as portas no dia 17 de novembro com um evento para estudantes do município de Calmon. O museu, mantido pela Epagri na Estação Experimental de Caçador (EECd), ganhou um novo espaço e agora fica em uma sala própria para receber os visitantes e compartilhar conhecimento sobre mais de 10 mil exemplares de artrópodes da fauna brasileira. A reabertura faz parte das comemorações dos 30 anos da Epagri.

No evento, 40 estudantes de 8 a 14 anos e cinco professores da Escola Básica Municipal Margarida Maria Alves e da Escola Municipal Professora Erodith dos Passos Rodrigues vão conhecer a Estação Experimental da Epagri, a história do local, alguns laboratórios e o Museu Entomológico. O evento será realizado respeitando as restrições sanitárias, o distanciamento social e a limitação do espaço.

A nova sala do museu tem bancadas mais baixas, que facilitam a visualização do material, especialmente pelas crianças, que correspondem a aproximadamente 90% do público que visita o local. “Todas as caixas são conservadas em uma sala escura e com temperatura e umidade controladas, onde apenas os entomologistas do laboratório entram. Quando temos visitantes, tiramos algumas caixas e as levamos para essa nova sala específica do museu. Trabalhamos os assuntos de acordo com a idade dos visitantes”, explica Janaína Pereira dos Santos, pesquisadora em Entomologia da Estação Experimental de Caçador e responsável pelo acervo.

Insetos, aranhas, escorpiões e mais

No espaço, o público pode observar e aprender sobre vários artrópodes, especialmente insetos e aranhas, além de escorpiões, centopeias e ácaros. O museu ainda preserva uma pequena coleção das principais serpentes brasileiras, que fascinam os visitantes, especialmente as crianças.

Os exemplares que mais chamam a atenção dos visitantes são o bicho-pau e a borboleta-coruja. O bicho-pau é o inseto mais longo do planeta e é especialista em se esconder, pois tem a habilidade de se camuflar nos galhos das árvores. Os exemplares mantidos no museu da Epagri medem cerca de 22 centímetros. Já a borboleta-coruja faz mimetismo, ou seja, imita uma coruja, pois o desenho de suas asas é muito semelhante aos olhos da ave.

O acervo do museu é utilizado nas pesquisas desenvolvidas pela Epagri e também como material didático para estudantes de escolas e universidades do Meio Oeste de Santa Catarina. “Temos aqui uma pequena amostra da biodiversidade da fauna brasileira. Para nós pesquisadores é muito importante ter acesso a esse material”, diz a pesquisadora Janaína. Ela acrescenta que, em 2017, o museu foi reconhecido com o selo e o registro do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram).

Educação ambiental e preservação

Desde 2009, o projeto “Conhecendo e aprendendo sobre biodiversidade: Epagri de portas abertas” é desenvolvido para orientar os visitantes sobre a importância dos artrópodes que são pragas na agricultura, os que transmitem doenças e os que são benéficos ao homem e à natureza. “O público aprende a reconhecer os animais peçonhentos e venenosos e recebe orientações em caso de acidentes domésticos com esses animais. Também explicamos as funções ecológicas dos insetos, a importância para a cadeia alimentar e os riscos de extinção”, explica Janaína.

Os visitantes ainda recebem informações sobre a preservação de insetos na natureza, educação ambiental, agricultura ecológica sustentável e métodos de manutenção da biodiversidade natural de ecossistemas. A equipe da EECd utiliza os conhecimentos desenvolvidos pela pesquisa e orienta os visitantes sobre os riscos do uso indiscriminado de agrotóxicos, apresentando outras formas de controle mais sustentáveis, ecológicas e de baixo custo.

Em dez anos, o projeto já atendeu mais de 10 mil pessoas, entre agricultores, professores, estudantes, pesquisadores e a comunidade em geral. Só em 2019, foram mais de 600 visitantes, na maioria estudantes de escolas e universidades. “Como resultado, tem-se aumentado o nível de conscientização da importância dos artrópodes como elementos fundamentais do ecossistema, pois nem todos são pragas e devem ser preservados”, diz Janaína.

História

O Museu Entomológico foi criado no início da década de 1980 como resultado do esforço de um pesquisador japonês e um brasileiro. Tetsuya Sugiura era perito da JICA (Agência de Cooperação Internacional do Japão), que tinha convênio com a Epagri, e veio para o Brasil dar assistência técnica aos produtores de frutíferas. O pesquisador se encantou com a fauna local e iniciou a coleta de insetos. Na mesma época, o pesquisador da Epagri Afonso Orth (atualmente professor aposentado de Entomologia da UFSC) fazia um levantamento das espécies de abelhas de Santa Catarina e ambos iniciaram a coleção entomológica.

Os exemplares mais antigos do museu estão conservados desde aquela época. Os artrópodes são preservados em uma sala especial, com condições de temperatura, luz e umidade controladas. Esse ambiente possibilita que o material fique conservado por um longo período, evitando a deterioração natural e por agentes externos.

Como visitar

As visitas são gratuitas, guiadas e explicativas e podem ser realizadas com agendamento prévio pelos pelos telefones (49) 3561 6813 ou 3561 6814 ou pelo e-mail [email protected].

O Museu Entomológico fica na Estação Experimental da Epagri de Caçador (EECd), no Laboratório de Entomologia: Rua Abílio Franco, 1500, Bairro Bom Sucesso.

Informações e entrevistas:

Janaína Pereira, pesquisadora da Epagri: (49) 3561 6813


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Fonte: Epagri/RBV Notícias
Foto: Epagri/RBV Notícias

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