OMS avalia declarar varíola dos macacos como ‘emergência global’; SC segue sem casos

Diretor-geral da organização afirmou que avanço da doença em dezenas de países é ‘pouco usual e preocupante’

A OMS (Organização Mundial da Saúde) fará uma reunião na próxima quinta-feira (23) para definir se a varíola dos macacos deve ser tratada como emergência sanitária de preocupação internacional. Atualmente, apenas a Covid-19 e a poliomielite estão dentro desta classificação.
O anúncio foi feito na terça-feira (14) pelo diretor-geral da entidade, Tedros Adhanom Ghebreyesus,.
Somente neste ano, a varíola dos macacos já contaminou 1,6 mil pessoas em 39 países e é a principal suspeita em outros 1,5 mil casos cujos diagnósticos ainda estão em investigação.
Chama a atenção o fato de que dos 39 países onde a doença foi detectada este ano, apenas sete eram considerados endêmicos.
Nestes sete países, 72 mortes por varíola dos macacos foram registradas previamente. Neste novo surto não houve nenhuma confirmação de morte em nações recém-afetadas, apesar da OMS ter informado que está investigando um óbito suspeito no Brasil.
O 5º caso da varíola dos macacos no Brasil foi confirmado pelo Ministério da Saúde nesta quarta-feira (15). A notícia ocorre menos de uma semana após o primeiro diagnóstico positivo no país.
Dois casos suspeitos que estavam em investigação em Santa Catarina foram descartados pela Secretaria de Estado da Saúde. Até o momento, não há casos em investigação no Estado.
Detecção e controle
A OMS também publicou recomendações para governos sobre detecção e controle de casos de varíola. Rosamund Lewis, disse que é crucial conscientizar a população sobre o nível de risco e explicar as recomendações para evitar infectar contatos próximos e familiares.
Ela frisou que, embora a doença às vezes produza apenas sintomas leves como lesões na pele, ela pode ser contagiosa por duas a quatro semanas.
“Sabemos que é muito difícil as pessoas se isolarem por tanto tempo , mas é muito importante proteger os outros. Na maioria dos casos, as pessoas podem se auto-isolar em casa e não há necessidade de estar no hospital”, acrescentou.
A varíola dos macacos é transmitida através do contato físico próximo com alguém que apresenta sintomas. A erupção cutânea, fluidos e crostas são especialmente infecciosas. Roupas, roupas de cama, toalhas ou objetos, como talheres ou pratos contaminados com o vírus, também podem infectar outras pessoas.
No entanto, segundo informou a especialista, ainda não está claro se as pessoas que não apresentam sintomas podem espalhar a doença ou não.
Surto atual
O surto atual já atinge quase 40 países em pouco mais de um mês. A ferramenta de monitoramento em tempo real Global.health, criada por pesquisadores de universidades como Harvard e Oxford, contabiliza nesta terça-feira mais de 1.700 casos confirmados.
Trata-se do maior surto de varíola do macaco já visto fora da África. A OMS e agências sanitárias de dezenas de países tentam entender se houve mudança na forma de transmissão do vírus ou mutações genéticas que facilitaram que ele se espalhe em uma velocidade nunca antes observada.
Casos descartados em SC
A Secretaria de Estado da Saúde informou que foram descartados os dois casos suspeitos de Monkeypox envolvendo residentes de Santa Catarina.
Tratavam-se de uma mulher de 27 anos, moradora de Dionísio Cerqueira e um homem de 28 anos residente em Blumenau. Identificou-se em ambos os casos a presença do vírus causador da varicela (catapora), descartando-se assim a suspeita inicial para Monkeypox.