Entidades da saúde de SC se posicionam sobre redução do tempo de isolamento: ‘exceção’

Ministério da Saúde estuda reduzir quarentena dos profissionais da saúde para cinco dias; medida semelhante foi adotada para toda a população nos EUA

O Ministério da Saúde debate a redução da quarentena dos profissionais da saúde infectados com a Covid-19. O tempo de isolamento passaria para apenas cinco dias. Entidades à saúde em Santa Catarina veem a medida com cautela, defendendo a adoção apenas em casos excepcionais.

O tema foi discutido na tarde desta sexta-feira (7) pela equipe técnica da pasta. A redução se aplicaria, a princípio, aos profissionais da saúde assintomáticos. Eles voltariam ao trabalho ainda infectados, mas sem transmitir o vírus, segundo estudos que embasam a medida.

“Casos excepcionais”, diz presidente do Cosems

O tema será discutido pelo Cosems/SC (Conselho de Secretarias Municipais de Saúde de Santa Catarina) a partir da próxima semana. Para o presidente Daisson Trevisol, caso a redução da quarentena seja adotada, deverá ser apenas em situações excepcionais.

“Já vemos essa indicação com a variante Ômicron, pois a maioria dos casos é assintomático. Mesmo com dados científicos, teria um pouco de cautela e apenas faria em caso de falta de funcionários”, pontua Trevisol, que também atua como secretário municipal de Saúde em Tubarão.

Ele ilustra, por exemplo, uma situação onde todos os 100 funcionários de um hospital são contaminados pelo vírus, comprometendo a atenção ao paciente. “Fora isso não há lógica. Daí deve-se respeitar o período normal de isolamento”, afirma. Hoje são recomendados 10 dias de quarentena.

“Colapso”

Para o Sindsaúde (Sindicato dos Trabalhadores na Saúde em Santa Catarina), é necessário manter as “medidas básicas para evitar o colapso do sistema de saúde e assim garantir atendimento a todos que precisem” – dentre elas o atual prazo de quarentena, informou a entidade.

“É preciso garantir exatamente o movimento contrário ao defendido por esse governo: defendemos isolamento social, uso de máscaras e demais recursos de proteção, incentivo às medidas de higiene e vacinação em massa”, disse o sindicato, em nota.

“Pretender impor que profissionais de saúde, expostos aos riscos cotidianos em seus locais de trabalho, sejam forçados a se manter trabalhando e colocando outras pessoas em risco, é um completo absurdo”, continuou.

 

 

Fonte: ND+
Foto: Arquivo/Marcello Casal Jr/Agência Brasil