Obra de Alzira Scapin mantém viva a história do Meio-Oeste

Alzira Scapin deixou vasta produção literária sobre Videira e região além da Guerra do Contestado. Sua obra segue como referência histórica.

A jornalista e escritora videirense Alzira Scapin, falecida na segunda-feira (21), deixou um dos maiores acervos literários já produzidos sobre a história do Meio-Oeste catarinense. Com uma obra marcada pela profundidade da pesquisa e sensibilidade narrativa, ela foi pioneira no resgate da memória de municípios como Videira, Pinheiro Preto, Rio das Antas, Salto Veloso e Água Doce.

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Um de seus principais livros, Videira nos Caminhos de Sua História (1997), lançado pela Prefeitura de Videira, é considerado até hoje uma das mais completas referências sobre a origem e o desenvolvimento da cidade. A obra traça a trajetória do município desde a antiga Vila do Rio das Pedras até sua emancipação, abordando a colonização, a vocação vitivinícola, a construção da ferrovia e o crescimento urbano.

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Entre seus trabalhos mais relevantes estão também os livros que resgatam a trajetória das Organizações Perdigão — hoje BRF —, além de publicações que retratam a evolução histórica de cidades vizinhas e o funcionamento do Legislativo videirense, com direito a uma galeria dedicada às primeiras legislaturas da Câmara de Vereadores.

Alzira fazia parte do Núcleo de Estudos do Contestado do Instituto Federal Catarinense (IFC) e era reconhecida por sua sensibilidade, compromisso com a verdade e dedicação incansável à preservação da memória regional. Estava envolvida na produção de uma nova série documental sobre a Guerra do Contestado, tema que estudava com profundidade e paixão.

Na última década, mergulhou no estudo desse conflito histórico, participando da série documental Videira 80 anos de História e editando nove volumes sobre o tema. Sua contribuição também inclui um capítulo no livro Uma guerreira em busca de liberdade (2005), sobre a liderança feminina Maria Rosa.

Outro marco de sua trajetória foi a colaboração na organização das atividades que celebraram os 50 anos da Rádio Videira, em 1999 — emissora com a qual mantinha laços históricos e afetivos.

Além do clássico sobre Videira, sua bibliografia inclui Pinheiro Preto, sua história — sua gente (1991), obra amplamente utilizada em projetos sobre identidade regional; O que somos, de onde viemos (1996), que trata da formação histórica de Salto Veloso; e Itália–Arroio Trinta: distância que separa, raízes que unem (2010), em coautoria com Claudio Spricigo.

Ao longo da carreira, Alzira Scapin foi reconhecida por unir rigor histórico e linguagem acessível, tornando a história regional compreensível e valorizada por gerações. Sua obra segue viva em bibliotecas, escolas e no imaginário coletivo daqueles que acreditam na importância de preservar o passado para construir o futuro.

Despedida de uma referência cultural

Alzira Scapin faleceu por volta do meio-dia desta segunda-feira (21), aos 71 anos, em Videira (SC). A causa da morte não foi divulgada. A informação foi confirmada pela Funerária São Judas Tadeu.

Natural de Videira e formada em jornalismo no Rio de Janeiro, Alzira dedicou décadas à comunicação, à pesquisa histórica e à produção literária sobre o Meio-Oeste de Santa Catarina. O falecimento gerou comoção entre familiares, amigos, colegas de imprensa, professores, instituições culturais e educacionais.

O velório ocorreu no Memorial São Judas Tadeu, e o sepultamento foi realizado na terça-feira (22), às 16h, no Cemitério de Santa Gema, em Videira.

A Prefeitura de Videira e o Instituto Federal Catarinense também manifestaram pesar, destacando o legado de Alzira como guardiã da memória regional. Outras prefeituras da região, como Rio das Antas e Pinheiro Preto, também manifestaram pesar.

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Fonte:
Ramon Gabriel | Portal RBV

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