Sete anos depois do rompimento da barragem da Vale, em Brumadinho, o Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais anunciou, neste domingo (25), o encerramento oficial das buscas por vítimas da tragédia. O desastre, considerado um dos maiores crimes socioambientais do país, resultou na morte de 270 pessoas, entre elas duas gestantes.
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Apesar do amplo trabalho realizado ao longo dos anos, duas pessoas seguem desaparecidas: o engenheiro mecânico Tiago Tadeu Mendes da Silva e a estagiária da Vale Nathália de Oliveira Porto Araújo. Segundo os bombeiros, toda a área atingida pelo rompimento — cerca de 290 hectares — foi minuciosamente vistoriada durante as operações de busca.
De acordo com informações oficiais, a última vítima localizada e identificada foi Maria de Lurdes da Costa Bueno, de 59 anos, encontrada em fevereiro de 2025. Ainda conforme o Corpo de Bombeiros, outros fragmentos humanos recuperados durante as ações seguem sob análise da Polícia Civil de Minas Gerais, que conduz os procedimentos de identificação.

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Tragédia em Brumadinho vira processo criminal
No âmbito judicial, o caso avança para uma nova etapa. A partir do dia 23 de fevereiro, terão início as oitivas de mais de 140 testemunhas de acusação e defesa no processo criminal que apura responsabilidades pelo rompimento da barragem. Além das testemunhas, a Justiça Federal também deverá ouvir os 15 réus envolvidos na ação.
O processo trata de acusações de homicídio doloso e crimes ambientais, tendo como alvos representantes da mineradora Vale e da empresa de consultoria alemã Tüv Süd, responsável por atestar a estabilidade da estrutura. Segundo a Justiça Federal, devido à complexidade do caso e ao número de envolvidos, as audiências estão previstas para se estender até maio de 2027.
Acordo de reparação
Paralelamente ao processo criminal, a Vale firmou um Acordo Judicial de Reparação que prevê o pagamento de R$ 37,6 bilhões em indenizações e a execução de diversas medidas compensatórias. Entre elas estão ações de recuperação socioambiental, garantia do abastecimento de água para a população atingida e projetos voltados à diversificação econômica do município de Brumadinho.
De acordo com a própria empresa, cerca de 80% das obrigações previstas no acordo já teriam sido cumpridas até o momento, embora o tema ainda seja acompanhado de perto por autoridades, familiares das vítimas e entidades da sociedade civil.



