A presença de escorpiões tem gerado preocupação em áreas valorizadas do litoral catarinense. Em Itajaí, somente nos três primeiros meses de 2026, foram capturados 195 animais. Dados da Secretaria Municipal de Saúde indicam que a Praia Brava concentra um dos principais focos, com 39 exemplares de escorpião-amarelo recolhidos apenas na faixa de areia durante esse período.
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Reconhecida como uma das regiões mais nobres da cidade, a Praia Brava está sob monitoramento constante das equipes de controle de zoonoses. No local, placas informativas foram instaladas para alertar moradores e visitantes sobre a presença dos escorpiões, que permanecem escondidos durante o dia e se tornam ativos à noite em busca de alimento.
O aumento da incidência está diretamente ligado à oferta de comida, especialmente baratas, principal fonte alimentar desses animais. Por isso, o descarte inadequado de lixo tem papel decisivo na proliferação. Ainda assim, a situação não se limita à orla: há registros de capturas distribuídos por praticamente todos os bairros do município.
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Entre as espécies identificadas, chama atenção o escorpião-amarelo, considerado o mais venenoso da América do Sul. A remoção desses animais exige técnicas específicas. As equipes atuam, em sua maioria, no período noturno, utilizando lanternas com luz ultravioleta — que tornam os escorpiões visíveis — além de equipamentos de proteção, como luvas e pinças apropriadas.
Segundo o biólogo da Vigilância Epidemiológica de Itajaí, Edimar Garcia, comportamentos humanos contribuem significativamente para o aumento dos casos. “Nós jogamos lixo e restos de comida em qualquer lugar, o que favorece o aparecimento de baratas, principal alimento dos escorpiões. Além disso, materiais transportados de outras regiões podem trazer esses animais sem que a gente perceba”, explica.
Outro aspecto que preocupa é a capacidade de reprodução da espécie. O escorpião-amarelo se reproduz por partenogênese, ou seja, a fêmea consegue gerar filhotes sem a necessidade do macho. “Uma única fêmea, em um ambiente com alimento e abrigo, pode chegar a cerca de 16 mil descendentes em dois anos”, alerta o biólogo.
Em relação a acidentes, Itajaí contabilizou dois registros em 2026, sem gravidade até agora. Em um dos casos, uma mulher foi picada enquanto dormia, após o animal estar sobre o lençol. Em outro episódio, uma jovem acabou sendo ferida ao pisar em um escorpião escondido dentro de um calçado.
As autoridades reforçam que, em situações de picada, a recomendação é buscar atendimento hospitalar imediato, evitando unidades básicas de saúde. No município, o Hospital Marieta e o Hospital Infantil Pequeno Anjo estão preparados com soro antiescorpiônico para atendimento adequado.
“O escorpião-amarelo pode causar acidentes graves, principalmente em crianças e idosos. Ao encontrar um animal, é fundamental avisar a Secretaria de Saúde para que sejam feitas ações de bloqueio”, reforça Garcia.
Para reduzir riscos, especialistas orientam medidas simples no dia a dia, como manter ambientes limpos, evitar acúmulo de lixo, vedar frestas em residências e sempre verificar roupas e calçados antes de utilizá-los. Essas ações são fundamentais para prevenir acidentes e conter a proliferação dos escorpiões.





