Um novo levantamento do Datafolha revela um cenário de forte pressão financeira sobre as famílias brasileiras. Segundo a pesquisa, 45% da população afirma ter buscado alguma fonte alternativa de renda nos últimos meses, enquanto 59% dizem que a renda familiar é insuficiente, em algum grau, para cobrir as despesas mensais. Além disso, quatro em cada dez entrevistados relataram queda nos rendimentos recentemente, reforçando o avanço das dificuldades econômicas no país.
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Renda insuficiente e aumento da busca por renda extra
A percepção de aperto financeiro é ainda mais intensa entre brasileiros que recebem até dois salários mínimos. Nesse grupo, sete em cada dez entrevistados afirmam que o dinheiro que entra em casa não é suficiente para cobrir os custos básicos do dia a dia, evidenciando maior vulnerabilidade social e econômica.
O levantamento também mostra que a busca por renda complementar é mais frequente entre pessoas com ensino médio e superior, geralmente mais inseridas no mercado formal, mas que ainda enfrentam desequilíbrio entre salário e custo de vida.
Já entre os que possuem apenas ensino fundamental, o movimento é menos expressivo, grupo no qual há maior presença de aposentados e pessoas fora do mercado de trabalho.
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Especialistas apontam que esse comportamento ocorre em um cenário de mercado de trabalho aquecido, mas com remuneração que não acompanha o aumento do custo de vida, o que leva muitos brasileiros a recorrerem a atividades paralelas, formais ou informais.
Endividamento atinge dois em cada três brasileiros
Em outro recorte da pesquisa, o Datafolha indica que 67% dos brasileiros possuem algum tipo de dívida financeira, como empréstimos ou financiamentos. Além disso, 21% estão com pagamentos em atraso, o que evidencia o crescimento da inadimplência no país.
Entre os que recorreram a empréstimos com amigos ou familiares, a situação é ainda mais delicada: 41% afirmam estar endividados.

Já entre os principais débitos em atraso, o cartão de crédito parcelado aparece em primeiro lugar, citado por 29% dos entrevistados, seguido por empréstimos bancários (26%) e carnês de lojas (25%).
O uso do crédito rotativo também chama atenção. Cerca de 27% dos brasileiros utilizam essa modalidade, sendo 5% de forma frequente.
Considerado um dos créditos mais caros do mercado, o rotativo apresenta juros médios de 14,9% ao mês, segundo o Banco Central.
Corte de gastos e fragilidade financeira das famílias
O impacto da crise financeira já aparece no cotidiano. Segundo a pesquisa, 64% dos brasileiros reduziram gastos com lazer, enquanto 60% passaram a comer menos fora de casa ou trocar marcas por opções mais baratas. Outros 52% diminuíram a quantidade de alimentos comprados.
Metade da população também reduziu consumo de água, luz e gás, enquanto 40% deixaram de pagar alguma conta e 38% interromperam ou atrasaram o pagamento de dívidas ou medicamentos.

O estudo ainda aponta que 66% dos brasileiros não possuem qualquer tipo de reserva financeira. Entre os que têm poupança, apenas uma pequena parcela conseguiria manter as despesas por mais de três meses em caso de perda de renda.
A pesquisa reforça a percepção de fragilidade econômica: 49% dos entrevistados afirmam se sentir mal ou muito mal em relação à situação financeira do país, enquanto a principal preocupação citada é justamente a falta de dinheiro e o custo de vida elevado.




