A produção de pitaia vem ganhando espaço no litoral de Santa Catarina nos últimos 15 anos e já se consolida como alternativa de diversificação para muitos agricultores do estado. A fruta, originária da América Central e conhecida pela rusticidade, conseguiu se adaptar às condições climáticas catarinenses e deve alcançar uma colheita estimada em 7,6 mil toneladas em 2026.
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Esse avanço é resultado direto do trabalho desenvolvido por pesquisadores da Epagri, que vêm construindo soluções voltadas ao aumento da produtividade, manejo sustentável e controle biológico de pragas que passaram a surgir com a expansão comercial da cultura.
Pesquisas identificam principais pragas da pitaia
Um dos trabalhos desenvolvidos pela Estação Experimental da Epagri em Itajaí identificou 19 potenciais pragas que afetam os pomares de pitaia em Santa Catarina. Entre elas estão percevejos, besouros, caracóis, formigas e até a abelha-irapuá.
Segundo o entomologista Marcelo Mendes de Haro, a maior parte das ocorrências envolve percevejos, já presentes em outras culturas agrícolas da região.
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“A maior parte são percevejos porque estão presentes em outras culturas da região, principalmente grãos, que são colhidos no início do ano, na mesma época da safra da pitaia”, explica.
O pesquisador destaca que o crescimento do cultivo exigiu o desenvolvimento de estratégias sustentáveis para controle das pragas, principalmente porque há poucos defensivos agrícolas registrados para a cultura no Brasil.

“Havia uma dificuldade muito grande na época porque tudo que se sabia sobre pitaia era baseado em literatura estrangeira. E pelo fato de não ter praticamente nenhum defensivo agrícola registrado no Ministério de Agricultura e Pecuária (MAPA), a única forma de combater pragas é através da manipulação do ambiente e do controle biológico”, aponta.
Manejo sustentável ajuda no controle biológico
O projeto “Manejo integrado de pragas de pitaia: desenvolvimento e implementação de tecnologias de produção orgânica”, financiado pela Fapesc e concluído em 2024, trouxe avanços importantes para o setor.
Os pesquisadores identificaram que cada praga ataca a planta em diferentes fases de desenvolvimento. Caracóis comprometem os brotos, besouros atacam o caule e percevejos prejudicam o aspecto visual dos frutos, reduzindo o valor comercial.
Para minimizar os impactos, a Epagri orienta produtores sobre práticas sustentáveis de manejo, como cobertura permanente do solo, adubação equilibrada e implantação de quebra-ventos naturais.

“O solo nunca pode estar descoberto. É preciso ter mais plantas no ambiente para que outros insetos se alimentem da praga”, ensina Marcelo.
Entre as recomendações estão o uso de amendoim-forrageiro no verão, mistura de sementes no inverno e o plantio de hibiscos, manacás e até bananeiras nas laterais dos cultivos para atrair insetos benéficos.
Santa Catarina busca desenvolver cultivar própria
Além do controle de pragas, os pesquisadores também trabalham no desenvolvimento de cultivares adaptados às condições climáticas do litoral catarinense.
O engenheiro-agrônomo Alessandro Borini Lone coordena a pesquisa “Seleção de genótipos de pitaia para Santa Catarina”, iniciada em 2025. O banco genético da Epagri já conta com 80 híbridos em avaliação.
“Esta primeira etapa de melhoramento genético é dedicada à busca por frutos de qualidade, com bom potencial de dulçor, tamanho, cor da casca e polpa e viabilidade econômica”, explica.
A expectativa é selecionar materiais mais produtivos, resistentes e adequados ao clima da região, fortalecendo ainda mais a cadeia produtiva da pitaia em Santa Catarina.




