O crescimento acelerado do Pix e a popularização dos meios de pagamento digitais vêm transformando a forma como os brasileiros realizam transações financeiras. De acordo com o Banco Central (BC), essa mudança de comportamento está entre os fatores que contribuíram para uma redução de 31% na emissão de novas cédulas de real entre 2020 e 2025.
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A quantidade de dinheiro físico produzida anualmente está diretamente ligada tanto à procura da população quanto à necessidade de substituir notas desgastadas ou danificadas que já não podem permanecer em circulação.
Ao comentar o tema, o Banco Central destacou que o avanço dos pagamentos eletrônicos tem impacto sobre a demanda por dinheiro em espécie, embora a renovação das cédulas continue sendo o principal elemento para manter a estabilidade da emissão nos últimos anos.
Além da expansão dos pagamentos digitais, o BC avalia que os efeitos da pandemia de Covid-19 também influenciaram o comportamento da circulação de dinheiro. Os anos de 2021 e 2022 registraram os menores volumes de emissão de cédulas dentro do período analisado.
Confira os números divulgados pelo Banco Central:
- 2020 – 1.948.017.420 cédulas emitidas;
- 2021 – 438.326.642;
- 2022 – 781.746.732;
- 2023 – 1.328.506.590;
- 2024 – 1.345.787.384;
- 2025 – 1.352.468.181;
- 2026 – 620.119.851. (dados até maio)
A tendência de redução do uso de dinheiro em espécie já havia sido identificada pelo BC na pesquisa “O Brasileiro e sua Relação com o Dinheiro”, divulgada em 2024. O levantamento revelou que o Pix passou a ser o meio de pagamento utilizado com maior frequência por 46% dos brasileiros, percentual muito superior aos 17% registrados em 2021.
No mesmo período, a preferência pelo dinheiro físico caiu significativamente. Em 2021, 42% dos entrevistados apontavam as cédulas e moedas como principal forma de pagamento, índice que recuou para 22% em 2024.
A mudança também ficou evidente no comércio. Enquanto o dinheiro era o método de pagamento mais frequente em 52% dos estabelecimentos comerciais em 2018, esse percentual despencou para apenas 7% em 2024, evidenciando a consolidação dos meios digitais nas transações do dia a dia.
Origem do sistema Pix
O desenvolvimento do Pix começou a ser desenhado ainda em 2014, durante o governo de Dilma Rousseff. Na época, o Banco Central iniciou estudos voltados à modernização da infraestrutura financeira brasileira e à ampliação do acesso da população aos serviços bancários digitais.
A iniciativa ganhou caráter oficial em 2018, já durante a gestão de Michel Temer, com a criação de um grupo de trabalho instituído pela Portaria 97.909 do Banco Central. A equipe ficou responsável por elaborar a estrutura tecnológica e regulatória que daria origem ao sistema de pagamentos instantâneos.
Nos anos seguintes, o órgão definiu os padrões de segurança, as regras de funcionamento e os mecanismos necessários para viabilizar transferências e pagamentos em poucos segundos entre diferentes instituições financeiras, consolidando uma das maiores transformações já registradas no sistema financeiro nacional.



