Violência contra a mulher: psicóloga da Polícia Civil alerta para sinais

Durante participação no RBV Entrevista, Claudiana Cruz destacou que a violência doméstica ocorre durante todo o ano, pode assumir diferentes formas e também se manifesta no ambiente digital

A violência contra a mulher não escolhe data, horário ou período do ano. Embora o Agosto Lilás amplie o debate sobre prevenção e enfrentamento desse tipo de violência, os casos continuam sendo registrados diariamente. Em Videira, a psicóloga da Polícia Civil de Santa Catarina, Claudiana Cruz, reforçou a importância da informação, da prevenção e da busca por ajuda para interromper ciclos de violência.

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Durante participação no RBV Entrevista, Claudiana conversou sobre as diferentes formas de violência contra a mulher, a efetividade da Lei Maria da Penha, os pedidos de medidas protetivas, os grupos reflexivos para autores de violência e os novos desafios provocados pelo uso das redes sociais e das plataformas digitais.

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Violência doméstica acontece durante todo o ano

Segundo a psicóloga, o Agosto Lilás é importante para dar visibilidade ao problema, mas não deve fazer com que a sociedade enxergue a violência contra a mulher como uma questão restrita ao mês de agosto.

Claudiana explica que a violência doméstica e familiar pode ganhar intensidade em momentos de convivência e conflitos, especialmente quando há consumo de álcool ou outras substâncias. Para ela, além de combater a violência, é necessário trabalhar a aproximação e o diálogo dentro das famílias. A profissional também destaca que é preciso repensar hábitos e comportamentos que podem contribuir para o agravamento dos conflitos.

Um dos pontos abordados durante a entrevista foi a efetividade das medidas protetivas previstas pela Lei Maria da Penha. De acordo com Claudiana, Videira registra uma média anual de 200 a 250 pedidos de medidas protetivas. Para a psicóloga, os números representam mulheres que chegaram até a delegacia para relatar uma situação de medo ou risco e buscar proteção. Ela também ressalta que os casos de descumprimento das medidas são considerados uma parcela pequena diante do total de pedidos.

A medida protetiva pode estabelecer restrições ao agressor, incluindo a proibição de aproximação e de contato com a vítima. Claudiana defende que esses mecanismos possuem efetividade e representam uma ferramenta importante de proteção às mulheres. Ao mesmo tempo, ela ressalta que nenhum mecanismo consegue impedir todos os casos de violência. Por isso, orienta as mulheres a adotarem medidas de segurança e procurarem um local protegido quando houver risco, principalmente diante de ameaças ou descumprimento de determinações judiciais.

Lei Maria da Penha completa 20 anos

A entrevista também abordou os 20 anos da Lei Maria da Penha, completados em 7 de agosto de 2026. Para Claudiana Cruz, a legislação representa um avanço importante no enfrentamento da violência contra a mulher. Segundo ela, a legislação passou por mudanças e continua sendo aprimorada, inclusive com mecanismos voltados à prevenção. Entre as estratégias citadas estão os grupos reflexivos destinados a homens autores de violência.

A proposta, conforme explicou a psicóloga, é trabalhar a mudança de comportamento e desconstruir a ideia de que homens possuem algum tipo de propriedade sobre suas companheiras.

Grupos reflexivos buscam prevenir novos episódios de violência

Para Claudiana, prender o autor de uma violência não encerra necessariamente o problema. Ela defende que também é necessário trabalhar a mudança de comportamento para evitar que novos relacionamentos sejam marcados pelos mesmos padrões violentos. A psicóloga explica que os grupos reflexivos reúnem homens que, inicialmente, podem chegar revoltados ou resistentes à proposta. Ao longo dos encontros, porém, muitos passam a participar das discussões e a refletir sobre seus comportamentos.

Os encontros podem durar entre 12 e 15 reuniões, segundo a profissional. O objetivo é trabalhar questões relacionadas ao controle da raiva, à masculinidade e à forma como os participantes compreendem os relacionamentos.

Violência contra a mulher também acontece no ambiente digital

Outro alerta feito durante a entrevista envolve o crescimento da violência praticada por meio da internet e das redes sociais. Claudiana observa que o ambiente digital pode ser utilizado para disseminar ódio, ameaças, instigação e conteúdos destinados a depreciar mulheres. A velocidade de propagação das informações também representa um desafio para as investigações policiais.

Segundo ela, enquanto uma informação pode se espalhar em poucos segundos, a investigação de um aparelho celular pode depender de perícia e levar dias.

A preocupação aumenta quando adolescentes estão expostos a conteúdos de ódio e relações consideradas não saudáveis. A psicóloga chama a atenção dos pais para a necessidade de acompanhar o uso das tecnologias e conhecer os conteúdos aos quais crianças e adolescentes estão sendo expostos.

Violência psicológica, patrimonial e sexual também precisam ser reconhecidas

Durante a entrevista, a psicóloga reforçou que violência contra a mulher não se resume à agressão física. Ofensas, humilhações, ameaças, controle, destruição de objetos, violência patrimonial e exposição de imagens íntimas também podem fazer parte de um ciclo de violência. Claudiana destacou ainda situações de importunação sexual e a divulgação de fotos íntimas como condutas que precisam ser reconhecidas e enfrentadas. A profissional alerta que muitas vítimas enfrentam mais de um tipo de violência ao mesmo tempo.

Outro aspecto destacado na conversa foi o ciúme e o controle dentro dos relacionamentos. Segundo Claudiana, situações graves podem estar associadas ao descontrole das emoções e à dificuldade de lidar com frustrações e inseguranças. A psicóloga reforça que nenhuma pessoa deve ser tratada como propriedade de outra e que o relacionamento precisa ser baseado em escolha, respeito e liberdade.

Para ela, a violência não deve ser encarada como uma forma de resolver conflitos ou de afirmar autoridade dentro de uma relação. Um dos principais alertas apresentados durante a entrevista é que a violência dificilmente começa já em sua forma mais grave. De acordo com Claudiana, comportamentos agressivos podem se intensificar progressivamente. Gritos, xingamentos, empurrões, ameaças, controle e humilhações podem fazer parte de um processo que, sem intervenção, evolui para situações ainda mais graves.

Por isso, reconhecer os primeiros sinais e buscar orientação pode ser fundamental para interromper o ciclo de violência.

Violência também pode atingir os filhos

A psicóloga também chamou atenção para situações em que filhos são utilizados como instrumento de vingança contra a mulher. Segundo ela, há casos em que crianças acabam sendo colocadas no centro de conflitos violentos entre adultos.

Claudiana também falou sobre os impactos do feminicídio sobre os filhos das vítimas, que podem perder a mãe e, em determinadas situações, também sofrer as consequências da prisão ou morte do autor da violência. Para a profissional, a prevenção precisa envolver toda a sociedade e começar também pela mudança de mentalidade.

Onde buscar ajuda em Videira

Segundo ela, existem canais como a Delegacia Virtual, o atendimento presencial da Polícia Civil, os plantões policiais e a Polícia Militar. Em Videira, a rede de atendimento também envolve serviços de saúde, assistência social e outros órgãos preparados para orientar mulheres conforme cada situação.

A psicóloga também lembrou a existência do Disque 180, canal destinado a denúncias e orientações relacionadas à violência contra a mulher. Denúncias anônimas também podem ser realizadas, inclusive por pessoas que tenham conhecimento de uma situação de violência.

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Fonte:
Ernesto Júnior | Rádio Videira

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