Ver resumo
- Criminosos usam dados de funcionário de concessionária para anunciar carros falsos.
- Mais de 150 boletins de ocorrência foram registrados em todo o Brasil.
- Funcionário virou alvo de processos e ameaças injustamente.
Um vendedor de uma concessionária de Curitibanos teve a própria imagem usada por uma quadrilha suspeita de aplicar golpes na venda de veículos pela internet. Os criminosos utilizam fotos, vídeos e informações reais da empresa e de Gabriel Vieira para criar anúncios falsos e negociar com compradores de diferentes partes do Brasil.
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O esquema começa com a publicação de veículos por valores muito abaixo dos praticados normalmente. Depois do contato pelas redes sociais, os criminosos negociam pelo celular, apresentam documentos e outras informações para transmitir credibilidade e pedem o pagamento de um sinal.
Golpista se passou por cliente
Gabriel, de 23 anos, trabalha na concessionária da família e começou a divulgar os veículos da empresa nas redes sociais ainda aos 19 anos. A primeira aproximação com os criminosos ocorreu justamente após a divulgação de um caminhão disponível no estoque.
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“Com 19 anos eu me empolguei pra fazer a venda. Nisso ele foi me pedindo foto de minha habilitação, contato da loja, CNPJ, vídeos na frente do caminhão.”
Sem saber que estava falando com um golpista, Gabriel enviou as imagens e informações solicitadas. O material passou a ser utilizado posteriormente pelos criminosos para se apresentar como vendedor e convencer novas vítimas.
Segundo os relatos reunidos no caso, um caminhão anunciado pela concessionária por cerca de R$ 120 mil a R$ 130 mil chegou a ser divulgado pelos golpistas por valores entre R$ 50 mil e R$ 60 mil. Em outras negociações, os criminosos também utilizaram fotos genéricas de veículos.
Mais de 150 ocorrências
As vítimas eram atraídas pelos preços baixos e pelas condições facilitadas de pagamento. Durante as conversas, os golpistas também alegavam que outras pessoas estavam interessadas no mesmo veículo e pressionavam pelo pagamento rápido do sinal ou de valores relacionados ao transporte.
Após a transferência, o contato era interrompido e o comprador descobria que havia caído em um golpe. Mais de 150 boletins de ocorrência foram registrados em todo o Brasil, com a maior concentração em Santa Catarina.

Algumas vítimas chegaram a viajar até Curitibanos para buscar veículos depois de terem enviado o dinheiro. Ao chegarem à concessionária, descobriram que a empresa e Gabriel não tinham relação com a negociação realizada pela internet.
Gabriel também virou alvo das vítimas
Desde o começo, Gabriel procurou a polícia e registrou um boletim de ocorrência. Segundo a família, ele nunca recebeu nenhum valor relacionado às falsas vendas e teve a situação esclarecida às autoridades.
Mesmo assim, o vendedor passou a enfrentar processos judiciais e ameaças de pessoas que acreditavam ter negociado diretamente com ele. Gabriel afirma que já gastou mais de R$ 40 mil somente com recursos para se defender dessas ações.
A orientação é que as vítimas registrem boletim de ocorrência na cidade onde moram e apresentem os dados do verdadeiro beneficiário da transferência, como o responsável pela conta que recebeu o Pix, ou do proprietário da linha telefônica utilizada na negociação.
“E que registre contra a pessoa que recebeu o valor, contra o beneficiário do valor do Pix, ou contra o proprietário da linha telefônica com quem ela conversou. E não contra o Gabriel.”

Vendedor usa redes sociais para alertar novas vítimas
Mesmo diante dos problemas provocados pelo golpe, Gabriel passou a utilizar as próprias redes sociais para divulgar alertas e explicar como os criminosos agem. A tentativa é evitar que outras pessoas sejam enganadas pelas falsas ofertas.
A família também relata preocupação com ameaças e com possíveis confrontos envolvendo vítimas que acreditam que Gabriel participou das negociações. Enquanto isso, os criminosos continuam utilizando imagens dele para dar aparência de legitimidade às fraudes.




