A possibilidade de formação de um “super” El Niño na segunda metade de 2026 já preocupa o setor agrícola, especialmente em Santa Catarina. O fenômeno climático, causado pelo aquecimento acima do normal das águas do Oceano Pacífico, pode alterar os padrões de chuva em diferentes regiões do Brasil e provocar impactos na produção de alimentos.
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Segundo a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), existe uma alta probabilidade de o El Niño atingir uma categoria considerada muito intensa ainda neste ano. Caso a previsão se confirme, o evento pode estar entre os mais fortes desde o início dos registros históricos, iniciados em 1950.
Para Santa Catarina, o principal ponto de atenção é o excesso de umidade. De acordo com análises meteorológicas, o Sul do Brasil tende a registrar volumes de chuva acima da média, cenário que pode beneficiar algumas culturas, mas também aumentar riscos para diversas lavouras.
Chuvas acima da média exigem atenção dos produtores catarinenses
Conforme informações do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), divulgadas em boletim de acompanhamento climático, o cenário previsto para a Região Sul inclui maior frequência de chuvas. Embora a umidade possa favorecer culturas de inverno, o excesso de precipitação pode elevar a ocorrência de doenças e dificultar operações no campo.
Em Santa Catarina, a Epagri alerta principalmente para os impactos em hortaliças. Culturas como alho e cebola podem sofrer com o solo encharcado, aumento de doenças bacterianas e dificuldades durante o manejo.
No caso da cebola, o excesso de chuva também pode comprometer a qualidade do produto, deixando os bulbos mais aquosos e reduzindo a capacidade de armazenamento.

Entre os grãos de inverno, trigo, aveia e cevada também entram no radar dos produtores.
O trigo pode apresentar maior incidência de doenças e dificuldades durante fases importantes do desenvolvimento. Já a aveia pode ter um desempenho positivo no início do ciclo, desde que não ocorram longos períodos de excesso de água.
Produção de algumas culturas já tem previsão de queda em SC
As primeiras estimativas da Epagri/Cepa apontam redução em algumas culturas de inverno no Estado. O alho, por exemplo, deve apresentar queda de 13% na área cultivada e redução de 17% na produção, que deve ficar próxima de 7,3 mil toneladas.
A região de Curitibanos continua como principal polo produtor da cultura, com destaque também para municípios como Fraiburgo e Frei Rogério, que concentram parte significativa das áreas plantadas.
A cebola também deve registrar redução. A expectativa é de queda de aproximadamente 9% tanto na área cultivada quanto na produção estadual.

Já o trigo pode ter uma redução ainda mais expressiva, com estimativa de recuo de cerca de 27% na área plantada e 29% na produção.
Por outro lado, algumas culturas podem apresentar crescimento. A produção de aveia-grão tem previsão de aumento, acompanhando a expansão da área cultivada, enquanto a cevada também deve registrar avanço, embora ainda represente uma participação menor na agricultura catarinense.
Possível impacto no preço dos alimentos preocupa consumidores
Além dos reflexos no campo, o El Niño pode chegar ao consumidor por meio da elevação dos preços dos alimentos. Especialistas avaliam que alterações nas condições de plantio e colheita podem reduzir a oferta de determinados produtos.
O pesquisador do Insper Agro Global, Leandro Gilio, destacou os possíveis efeitos do fenômeno na economia.
“Certamente vai impactar preço dos alimentos. É meio que inevitável, principalmente se afetar as janelas de plantio ou mesmo prejudicar a produção na hora da colheita”
Produtos como milho, café, frutas, arroz, trigo e hortaliças estão entre os que podem sofrer impactos dependendo da intensidade e da distribuição das chuvas.

Epagri orienta produtores a acompanhar previsões
Diante das incertezas climáticas, a Epagri afirma que mantém equipes acompanhando as condições de clima e solo para auxiliar os agricultores catarinenses.
O presidente da instituição, Dirceu Leite, reforça que o planejamento e o acompanhamento das informações meteorológicas serão fundamentais para reduzir possíveis prejuízos.
“Orientamos aos produtores a acompanharem os avisos e boletins da Epagri e a procurarem o escritório mais próximo do município. Com informação, planejamento e trabalho conjunto, vamos enfrentar mais este desafio climático e buscar uma boa safra para Santa Catarina”
A recomendação é que os produtores adotem práticas de conservação do solo, acompanhem os alertas oficiais e busquem orientação técnica para tomar decisões mais seguras durante o ciclo agrícola.




