Câmara aprova projeto que cria barreiras ao aborto legal para menores vítimas de estupro

Entre 2013 e 2023, mais de 232 mil meninas com até 14 anos deram à luz, todas vítimas de estupro

Na noite desta quarta-feira (5), a Câmara dos Deputados aprovou, por 317 votos a 111, o Projeto de Decreto Legislativo (PDL-03), que estabelece novas restrições ao aborto em crianças e adolescentes vítimas de estupro. O texto agora seguirá para análise do Senado Federal, avançando na tramitação legislativa.

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De autoria da deputada Chris Tonietto (PL-RJ), o projeto propõe suspender a Resolução 258/24 do Conselho Nacional da Criança e do Adolescente (Conanda), que definia diretrizes para atendimento humanizado e prioritário de meninas vítimas de violência sexual.

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A medida visa exigir boletim de ocorrência e comunicação obrigatória aos responsáveis legais antes da interrupção da gestação.

O relator do projeto, deputado Luiz Gastão (PSD-CE), apresentou parecer favorável.

Os defensores da proposta argumentam que a resolução do Conanda extrapolava sua competência ao dispensar registros policiais e autorização de responsáveis em casos de suspeita de estupro familiar.

Além disso, questionam a classificação da recusa médica por desconfiança da palavra da vítima como discriminação, considerando-a, na verdade, objeção de consciência.

O Ministério das Mulheres expressou preocupação sobre a proposta. Segundo a pasta, o PDL poderia anular orientações essenciais e dificultar o acesso das vítimas ao atendimento.

“Apenas detalha como aplicar a lei para salvar vidas. Suspender esta medida é fechar os olhos para a violência e falhar com as meninas brasileiras”, afirmou o ministério.

Dados alarmantes reforçam a urgência do tema

Entre 2013 e 2023, o Brasil registrou mais de 232 mil nascimentos de mães com até 14 anos, todos resultantes de estupro.

Em 2023, apenas 154 meninas conseguiram interromper a gestação através do aborto legal, enquanto milhares foram forçadas à maternidade, afetando a educação, saúde e segurança dessas crianças.

O Ministério destacou ainda que a gestação forçada é a principal causa de evasão escolar feminina e resulta na morte de uma menina por semana no país.

A proposta gera intenso debate sobre direitos reprodutivos, proteção infantil e aplicação da lei no Brasil.

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Fonte:
Silvia Zatta | Portal RBV | Com informações Guararema

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