Setembro Amarelo: saúde mental deve ser debatida durante todo o ano
Psicólogo e coordenador do CAPS de Videira destaca a importância do diálogo, do acolhimento e da busca por ajuda para fortalecer a saúde mental e valorizar a vida durante todo o ano
O Setembro Amarelo chama a atenção para a importância da saúde mental, da valorização da vida e da prevenção do comportamento suicida. Em Videira, o tema foi discutido durante uma entrevista do RBV Entrevista com o psicólogo e coordenador do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), Marcos Antônio Voidaleski Júnior.
Para o profissional, embora setembro seja um período de maior mobilização, a discussão sobre saúde mental precisa fazer parte do cotidiano durante todo o ano. “É um assunto que precisa ser falado diariamente”, destacou Marcos, ao defender que a campanha seja utilizada como uma oportunidade para ampliar o conhecimento e a conscientização da população.
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Setembro Amarelo busca ampliar o diálogo sobre saúde mental
Segundo o psicólogo, um dos principais objetivos do Setembro Amarelo é levar informação à comunidade e ajudar a reduzir o estigma que ainda existe em torno da saúde mental e do comportamento suicida. Marcos explica que ainda existe a ideia equivocada de que falar sobre prevenção do suicídio poderia estimular esse tipo de comportamento. Para ele, o caminho é justamente o contrário: informação, diálogo e conscientização ajudam a romper preconceitos e permitem que o tema seja tratado de maneira responsável.
A campanha, segundo o profissional, ganhou espaço na sociedade justamente por transformar um assunto complexo em uma mensagem acessível à população. Além do Setembro Amarelo, outras campanhas ao longo do ano também utilizam cores para chamar atenção para diferentes temas relacionados à saúde e à prevenção.
Outro ponto abordado durante a entrevista foi o impacto das transformações sociais e tecnológicas na saúde mental. Marcos destacou que, apesar de a tecnologia proporcionar novas formas de comunicação, ela também pode contribuir para um distanciamento nas relações presenciais.
Nesse contexto, o fortalecimento dos vínculos sociais ganha importância. De acordo com o psicólogo, os grupos podem funcionar como uma importante ferramenta de cuidado, permitindo que as pessoas compartilhem experiências, sejam ouvidas e percebam que não estão sozinhas. O trabalho realizado pelos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) segue justamente essa perspectiva, buscando superar uma lógica exclusivamente individual de atendimento e fortalecer a convivência e a reinserção social.
“O grupo é uma metodologia, uma tecnologia leve que promove esse fortalecimento de vínculo”
Como acolher alguém que pede ajuda?
Uma das principais orientações apresentadas durante a entrevista envolve a forma como familiares, amigos e pessoas próximas podem agir diante de alguém que demonstra sofrimento emocional ou pede ajuda. Marcos reforçou que não é necessário ser profissional de saúde mental para oferecer acolhimento.
A primeira atitude é ouvir sem julgamento. Muitas vezes, segundo ele, a pessoa que procura ajuda não precisa imediatamente de uma resposta ou de um conselho, mas de alguém disposto a escutá-la. O psicólogo apresentou ainda uma orientação baseada em três ações: reparar, observar e conduzir.
Reparar
A primeira etapa é perceber mudanças no comportamento. Alterações na rotina, na postura ou na forma como uma pessoa costuma agir podem servir como sinais de alerta.
Observar e ouvir
Depois de perceber mudanças, é importante observar e ouvir atentamente. O profissional reforça que essa escuta deve acontecer sem julgamentos. Mais do que encontrar uma resposta imediata, o objetivo é permitir que a pessoa se sinta segura para falar sobre o que está vivendo.
Conduzir
Quando alguém demonstra dificuldade para buscar ajuda sozinho, familiares e amigos podem ajudar a encontrar os caminhos disponíveis. Isso pode significar acompanhar a pessoa até um serviço de saúde, uma consulta ou o CAPS.
“Se a ajuda chega até você, se o pedido de ajuda vem, eu preciso não cristalizar, eu preciso fazer alguma coisa, fazer algum movimento”
Onde buscar ajuda em Videira?
Em Videira, a população conta com diferentes serviços para buscar atendimento relacionado à saúde mental. O CAPS funciona como um serviço de porta aberta, segundo o coordenador. O atendimento ocorre de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, com uma equipe responsável pelo primeiro acolhimento e pela avaliação da situação apresentada.
A partir desse primeiro contato, o serviço pode direcionar o atendimento de acordo com as necessidades de cada pessoa, incluindo atendimentos individuais e atividades em grupo. Entre as ações desenvolvidas pelo CAPS está o Grupo Apoio à Vida, realizado às sextas-feiras e voltado a pessoas que necessitam de apoio diante de pensamentos relacionados à ideação suicida.
Além do CAPS, a população também pode procurar as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) nos bairros. Os profissionais podem realizar o acolhimento inicial e, quando necessário, encaminhar o paciente para os serviços especializados.
CVV oferece atendimento pelo telefone 188
Para quem precisa conversar e encontra dificuldade em procurar presencialmente um serviço de saúde, também existe o Centro de Valorização da Vida (CVV). O atendimento pode ser acessado pelo telefone 188, com profissionais disponíveis 24 horas para ouvir, acolher e orientar.
O psicólogo reforça que buscar ajuda não deve ser uma atitude restrita ao mês de setembro. O cuidado com a saúde mental precisa acontecer durante os 12 meses do ano.
Ao finalizar a entrevista, Marcos reforçou que ações como o Setembro Amarelo são importantes para manter o debate sobre saúde mental presente na sociedade. A campanha pode ser uma porta de entrada para a informação, mas o cuidado não termina quando setembro acaba.