O Projeto SER (Sonhar, Escolher e Realizar) vem transformando a realidade de adolescentes em situação de acolhimento em Caçador. Desenvolvido pelo Serviço Especializado de Acolhimento (Aceias), a iniciativa busca fortalecer o protagonismo, a autonomia, o senso de pertencimento e a responsabilidade social dos jovens por meio de atividades em grupo, oficinas e ações voltadas ao desenvolvimento pessoal.
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De acordo com o coordenador do serviço de acolhimento, Márcio Martins Rosa, o projeto nasceu para oferecer oportunidades aos adolescentes que enfrentam situações de vulnerabilidade decorrentes de negligências e dificuldades vividas no ambiente familiar.
Segundo ele, o acolhimento é uma medida excepcional, aplicada quando a família não consegue garantir a proteção necessária à criança ou ao adolescente. Nesse contexto, o Projeto SER procura valorizar as potencialidades desses jovens, desconstruindo estigmas e mostrando que eles podem construir um futuro diferente.
“O projeto visa justamente desenvolver o potencial e as capacidades dos adolescentes, superando a ideia de que eles representam um problema para a sociedade”, destacou o coordenador.
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Desenvolvimento integral dos adolescentes
Márcio explica que o serviço de acolhimento busca garantir aos adolescentes condições adequadas para seu desenvolvimento educacional, emocional, social e de saúde, seja nas Casas Lares ou no acolhimento familiar.
Ele ressalta que projetos como o SER ampliam as possibilidades de atendimento ao envolver diferentes setores da sociedade.
“O trabalho não pode ser feito por uma única instituição. Precisamos de muitas mãos e muitos corações envolvidos para alcançar resultados positivos”, afirmou.
Comunidade é convidada a participar
O coordenador também fez um convite para que empresas, instituições e pessoas da comunidade conheçam o projeto e contribuam com a iniciativa.
A proposta é ampliar as parcerias para proporcionar novas experiências aos adolescentes, fortalecendo sua integração social e mostrando que eles têm espaço e podem fazer a diferença onde estiverem. Interessados podem entrar em contato com o Serviço Especializado de Acolhimento (Aceias), que encaminhará as demandas diretamente à equipe responsável pelo projeto.
Atualmente são 14 adolescentes atendidos
A psicóloga do serviço de acolhimento, Vanessa Martinazzo, informou que atualmente 14 adolescentes participam do serviço, sendo 11 em acolhimento institucional nas Casas Lares e três em acolhimento familiar. Todos têm entre 12 e 17 anos de idade.
Ela explica que o Projeto SER veio complementar um trabalho que antes era realizado de forma individual. Com os encontros coletivos, os resultados passaram a ser ainda mais significativos.
Segundo Vanessa, os adolescentes passaram a demonstrar maior autoestima, sentimento de pertencimento e confiança em suas capacidades.
“O objetivo é resgatar o protagonismo deles, mostrar que podem sonhar, escolher e realizar. Nosso papel, enquanto instituição e sociedade, é fortalecê-los para que cheguem à vida adulta preparados para enfrentar seus desafios”, afirmou.

Sentimento de pertencimento já aparece entre os jovens
Um dos momentos que mais marcou a equipe foi quando uma adolescente passou a identificar-se nas redes sociais como participante do Projeto SER.
Para Vanessa, esse gesto demonstrou que a jovem passou a reconhecer o projeto como um espaço onde se sente acolhida, valorizada e capaz de compartilhar sua história, sonhos e dificuldades com outros adolescentes que vivem experiências semelhantes.
Ela destaca que o trabalho em grupo fortalece emocionalmente os participantes, pois permite que um adolescente encontre inspiração na trajetória do outro.
“Muitos chegam ao serviço sem esperança, carregando traumas decorrentes do abandono ou da perda do poder familiar. Mostrar que são capazes de reconstruir suas histórias exige um trabalho intenso, mas os resultados têm sido muito positivos”, ressaltou.
Encontros mensais e novos projetos
Os encontros do Projeto SER acontecem uma vez por mês, geralmente no período da noite. Durante as atividades são realizadas dinâmicas de grupo, rodas de conversa e debates sobre temas como autocuidado, saúde mental, identidade, autoconhecimento e preparação para a vida adulta. Após os encontros, os adolescentes compartilham um jantar, fortalecendo ainda mais os vínculos e o sentimento de pertencimento. Até o momento, dois encontros já foram realizados.
Além das atividades internas, a equipe planeja ampliar as experiências dos adolescentes por meio de visitas a empresas, instituições e outros espaços da comunidade.
A proposta é prepará-los para a vida adulta, proporcionando conhecimento sobre serviços públicos, emissão de documentos, oportunidades profissionais e demais aspectos importantes para sua autonomia e inclusão social.





