Treze Tílias recebeu nos dias 30 e 31 de julho, o VI Seminário Estadual de Envelhecimento Ativo, promovido pela Escola de Gestão Pública Municipal (Egem), em parceria com a Federação Catarinense de Municípios (Fecam). O evento reuniu mais de 180 participantes, representantes de mais de 50 municípios catarinenses, e reforçou a necessidade de as administrações municipais se prepararem para uma população cada vez mais longeva, fortalecendo políticas públicas que garantam qualidade de vida, autonomia e dignidade às pessoas idosas.
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Realizado no Centro de Eventos Maria Thaler Moser, o seminário reuniu gestores públicos, profissionais das áreas de saúde, assistência social, educação, cultura, esporte e segurança pública, além de pesquisadores, conselheiros, estudantes e representantes da sociedade civil. Ao longo de dois dias, os participantes debateram estratégias para promover o envelhecimento ativo e construir cidades mais preparadas para atender às demandas da população idosa.
Para a supervisora em Políticas Públicas da Federação Catarinense de Municípios (Fecam), Janice Merigo, um dos principais alertas apresentados durante o encontro foi a realidade demográfica de Santa Catarina.
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“Os dados apresentados mostram que Santa Catarina é hoje o estado com o maior número de pessoas idosas e essa tendência continuará crescendo. O grande desafio das entidades municipalistas e dos municípios é preparar os servidores públicos e fortalecer as políticas municipais para oferecer serviços de qualidade nas áreas da saúde, assistência social, esporte, cultura e lazer, além de buscar recursos estaduais e federais para atender essa demanda”.
Segundo Janice, o seminário também incentivou os gestores municipais a analisarem os serviços já oferecidos à população idosa e identificarem quais políticas públicas ainda precisam ser implantadas para atender às novas demandas do envelhecimento populacional.

Experiências municipais inspiraram gestores
Um dos destaques da programação foi a apresentação de boas práticas desenvolvidas por municípios catarinenses. Das 21 experiências inscritas, seis foram selecionadas para compartilhar iniciativas voltadas ao cuidado, à promoção da saúde, à ampliação da cobertura vacinal, ao fortalecimento da convivência, à captação de recursos para os Fundos Municipais da Pessoa Idosa e à garantia de direitos.
Os trabalhos apresentados representaram os municípios de Balneário Piçarras, Caibi, Ibiam, Luzerna, Navegantes e Xanxerê, servindo de inspiração para gestores de diferentes regiões do Estado.
O prefeito de Arabutã e membro do Conselho Fiscal da Egem, Olguin Ricardo Metz, destacou que o encontro proporcionou conhecimento e troca de experiências que poderão ser aplicados nos municípios.
“Nós, gestores, precisamos ter esse olhar para o envelhecer. As políticas públicas caminham para essa realidade e esse seminário proporcionou muito aprendizado. Tivemos mais de 180 participantes e representantes de mais de 50 municípios reunidos para compartilhar conhecimento que certamente será transformado em melhorias no atendimento às pessoas idosas em cada cidade”.
Cuidado precisa ser responsabilidade compartilhada
A conferência de abertura foi ministrada pela médica geriatra Dra. Karla Cristina Giacomin, doutora em Ciências da Saúde pela Fiocruz, fundadora e presidente da Associação Cuidadosa, consultora da Organização Mundial da Saúde (OMS) para políticas públicas de envelhecimento e reconhecida entre as 50 lideranças 50+ na promoção do envelhecimento saudável.
Durante sua palestra, a especialista defendeu que o cuidado deve ser compreendido como uma responsabilidade compartilhada entre famílias, poder público, comunidade e sociedade.
“Todos estamos envelhecendo e o cuidado faz parte da condição humana. Precisamos superar a visão fragmentada das políticas públicas e trabalhar de forma integrada. Também é essencial ouvir as pessoas idosas sobre o cuidado que desejam. Cuidar não é uma responsabilidade exclusiva da família. É um direito e uma necessidade que precisam ser compartilhados entre família, Estado, comunidade e sociedade”.
Para a médica, esse é um dos principais desafios enfrentados por Santa Catarina, estado que vive um acelerado processo de envelhecimento populacional e precisa estruturar políticas públicas capazes de responder às demandas atuais e futuras.
Planejamento é fundamental para o futuro dos municípios
Além da conferência de abertura, o seminário abordou temas como a Política Nacional de Cuidados, cidades amigáveis às pessoas idosas, fortalecimento dos Conselhos e Fundos da Pessoa Idosa, governança nas Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs), implantação de serviços como Centro Dia e Família Acolhedora e o enfrentamento ao idadismo.
Ao final do encontro, a principal mensagem deixada pelos especialistas foi a de que o envelhecimento da população já é uma realidade em Santa Catarina e precisa fazer parte do planejamento dos municípios. O fortalecimento de políticas públicas integradas e da atuação conjunta entre diferentes áreas da administração pública foi apontado como um dos caminhos para garantir mais autonomia, inclusão e qualidade de vida às pessoas idosas.





