Uma pequena prateleira instalada no centro de Porto União, no Planalto Norte de Santa Catarina, tem chamado a atenção de moradores e comerciantes.
PARTICIPE DO NOSSO GRUPO NO WHATSAPP E RECEBA NOTÍCIAS
Todos os dias, o agricultor Levi Imianoski, de 86 anos, disponibiliza gratuitamente parte dos alimentos cultivados em sua propriedade rural.
Laranjas, limões, pokans, abóboras e chuchus são colocados na banca com um aviso simples: “Custo Zero. Um pacote por pessoa”.
O gesto nasceu da vontade de evitar o desperdício da produção excedente. Para Levi, se há alimentos disponíveis, eles devem chegar a quem precisa.
“Eu não gosto de ver a fruta caída no pé apodrecendo. Então tem que dar para quem não tem”, afirma Levi.
Solidariedade virou rotina durante a pandemia
A iniciativa ganhou força durante a pandemia, quando Levi passou a morar definitivamente na propriedade localizada na comunidade de Avencal.
Antes disso, ele já tinha o hábito de compartilhar alimentos. Quando ainda morava em um apartamento, costumava levar cestas com frutas, verduras e legumes para a portaria do prédio.

Com o aumento da produção na propriedade rural, a ideia ganhou uma nova dimensão. O que antes acontecia ocasionalmente passou a fazer parte da rotina diária.
A filha, Silvia Imianoski, conta que a iniciativa partiu naturalmente do pai.
“Quando morávamos em apartamento, ele levava cestas com frutas, verduras e legumes para deixar na portaria. Depois que veio morar no sítio, a produção aumentou muito e ele transferiu esse costume para a loja. Hoje ele leva o que tiver na época: laranja, limão, abóbora, chuchu. É uma iniciativa totalmente dele”, garante.
Agricultor mantém ligação com a terra
A banca fica em frente à Comatol, empresa que pertence à família e integra a trajetória profissional de Levi.
Ao longo de mais de cinco décadas, ele ajudou a construir a história da empresa no segmento de tratores e equipamentos agrícolas. Pelo trabalho desenvolvido em Porto União, também recebeu uma homenagem da Câmara de Vereadores do município.
Mesmo com uma longa trajetória empresarial, Levi mantém uma rotina ligada ao campo.
Ele trabalha durante parte do dia e dedica as tardes aos cuidados com a propriedade rural. Entre as atividades, estão o cultivo, a colheita e a preparação dos alimentos que serão distribuídos no dia seguinte.

Alimentos desaparecem rapidamente da prateleira
O filho André Imianoski também destaca que a distribuição surgiu espontaneamente e cresceu conforme aumentava a produção.
“Meu pai foi para o sítio durante a pandemia e começou a cuidar ainda mais das frutas e do jardim. Primeiro levava um pouco para os clientes. Depois a produção cresceu e ele passou a distribuir na frente da loja. Hoje isso já faz parte da rotina dele”, relata.
Além dos alimentos, Levi também costuma preparar suco de laranja para presentear amigos e conhecidos.
A prateleira costuma ser abastecida por volta das 7h30. Em muitos dias, os produtos acabam antes mesmo do encerramento do expediente.

Para Levi, entretanto, o maior retorno está na alegria de quem recebe.
“O que eu vejo é que as pessoas ficam felizes. E por eu vê-las felizes, eu me sinto mais feliz ainda”, resume.
Aos 86 anos, o agricultor mantém uma rotina simples e transforma parte da produção em um gesto que ultrapassa a doação de alimentos: uma demonstração diária de solidariedade e cuidado com a comunidade.




