Geopolítica mundial: As ligações entre Trump, Vaticano, Hungria e Oriente Médio

Especialista em direito internacional explica como recentes eventos globais influenciam a Europa, a Ucrânia e a economia mundial

A edição desta semana do RBV Entrevista abordou um dos temas mais complexos da atualidade: a geopolítica mundial e seus desdobramentos recentes. Para entender os impactos globais envolvendo os Estados Unidos, Europa, Vaticano e Oriente Médio, o programa conversou com o analista e especialista em direito internacional, Francisco Cordeiro de Araújo, direto de Portugal.

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Segundo o especialista, o cenário atual é marcado por instabilidade, decisões imprevisíveis e uma comunicação política cada vez mais imediata, especialmente por parte do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

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De acordo com Francisco, a Europa ainda enfrenta dificuldades para se posicionar de forma independente no cenário global. Historicamente dependente dos Estados Unidos desde o pós-Segunda Guerra Mundial, o continente busca se adaptar a uma política externa norte-americana considerada imprevisível.

A atuação de Donald Trump tem provocado impactos diretos em diversos países, inclusive aliados. A forma como o ex-presidente se comunica — muitas vezes por redes sociais e com declarações controversas — gera instabilidade diplomática e econômica.

Um exemplo citado é o aumento do preço dos combustíveis na Europa, reflexo direto das tensões no Oriente Médio, especialmente envolvendo o Irã e regiões estratégicas como o Estreito de Ormuz.

Outro ponto que chamou atenção foi o envolvimento do Vaticano em debates geopolíticos. O Papa Leão XIV, próximo de completar um ano à frente da Igreja Católica, acabou sendo citado em declarações de Donald Trump, o que gerou repercussões políticas e religiosas.

A situação também afetou relações com líderes europeus, como a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, considerada até então uma aliada estratégica. Segundo o analista, esse tipo de conflito é desnecessário e pode desgastar alianças importantes.

Um dos principais acontecimentos recentes foi a eleição na Hungria, que marcou o enfraquecimento político de Viktor Orbán após anos no poder.

“Estas eleições foram talvez as mais importantes deste ano.”

O resultado é visto como um ponto de virada para a União Europeia, já que a Hungria vinha dificultando decisões importantes, especialmente relacionadas ao apoio à Ucrânia no conflito contra a Rússia, liderada por Vladimir Putin.

Guerra na Ucrânia e reflexos globais

O conflito entre Rússia e Ucrânia continua sendo um dos principais pontos de atenção mundial. Desde a invasão em larga escala iniciada em 2022, a Ucrânia tem contado com apoio internacional, especialmente dos Estados Unidos durante o governo de Joe Biden.

No entanto, com a mudança no cenário político norte-americano, houve redução no apoio militar, obrigando a Europa a assumir maior protagonismo — ainda que de forma limitada. Francisco destaca que a população ucraniana vive sob constante ameaça, enfrentando ataques com mísseis e drones, além de impactos psicológicos profundos causados pela guerra.

Oriente Médio, Irã e o risco econômico global

Outro foco de tensão está no Oriente Médio, com destaque para o Estreito de Ormuz, uma das rotas comerciais mais importantes do mundo. O controle dessa região é estratégico, especialmente para o Irã, que utiliza sua posição geográfica como forma de pressão diante de ações militares dos Estados Unidos.

Segundo o analista, qualquer instabilidade no local impacta diretamente a economia global, especialmente no preço do petróleo e combustíveis. “O Irã sabe que está numa posição geográfica privilegiada e que essa é uma das poucas cartas que tem.”

A análise também aponta um desgaste nas relações internacionais de Israel, liderado por Benjamin Netanyahu. “Israel tem perdido o apoio internacional de forma bastante gravosa.” Segundo o especialista, decisões recentes podem ter consequências futuras:

“Descartar a diplomacia terá custos e poderá ser pago caro no futuro.”

A postura adotada pelo governo israelense nos últimos anos tem gerado críticas e afastamento de aliados históricos, incluindo países europeus. A decisão da Itália, sob liderança de Giorgia Meloni, de não renovar acordos de defesa é vista como um sinal desse enfraquecimento diplomático.

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Fonte:
Ernesto Júnior | Rádio Videira

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