A Petrobras anunciou um aumento no valor do diesel comercializado com as distribuidoras, que passa a valer a partir deste sábado (14). O reajuste atinge apenas esse combustível, já que os demais derivados não tiveram alteração de preço neste momento.
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Com a mudança, o preço médio do diesel vendido às distribuidoras passa a ser de R$ 3,65 por litro, o que representa um acréscimo de R$ 0,38 por litro em relação ao valor anterior. Antes desse anúncio, o último ajuste no diesel havia sido realizado em maio de 2025.
A elevação ocorre em meio ao encarecimento do petróleo no mercado internacional. No início deste mês, a intensificação da guerra no Oriente Médio provocou forte alta na cotação do barril, que saltou de cerca de US$ 60 para mais de US$ 100, aumentando o custo da matéria-prima utilizada na produção de combustíveis.
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Apesar do reajuste, a estatal destacou que, no acumulado dos últimos anos, houve redução nos preços praticados para as distribuidoras. Segundo a empresa, “Mesmo após essa atualização, no acumulado desde dezembro de 2022, os preços de diesel A vendidos às distribuidoras registram redução acumulada de R$ 0,84 por litro, o equivalente a uma queda de 29,6%, considerada a inflação do período”.
Impacto para o consumidor pode ser menor
De acordo com a Petrobras, o reflexo desse aumento para o consumidor final tende a ser menor do que o reajuste anunciado. Isso porque o Governo Federal do Brasil divulgou medidas para reduzir tributos e oferecer subsídios aos produtores, iniciativa confirmada na quinta-feira (12).
As medidas assinadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva incluem:
Um decreto que zera as alíquotas de PIS/Cofins sobre o diesel, reduzindo o preço em cerca de R$ 0,32 por litro;
Uma medida provisória que prevê subvenção de R$ 0,32 por litro para produtores e importadores do combustível;
A taxação da exportação de petróleo, também por medida provisória, com o objetivo de estimular o refino no país e assegurar o abastecimento interno;
Um decreto que determina que postos informem de forma clara ao consumidor a redução de tributos federais e o impacto da subvenção no preço.
Para o economista Carlos Thadeu, especialista em inflação e commodities da BGC Liquidez, o aumento anunciado pela Petrobras acaba compensando parte das reduções previstas pelo governo.
“Basicamente, quase anula o efeito de queda das medidas anunciadas ontem pelo governo federal. O impacto no IPCA das reduções de ontem e do aumento de hoje praticamente se cancelam”, diz.
Como é formado o preço do diesel nos postos
A Petrobras também esclarece que o valor cobrado nas bombas não depende apenas do preço definido pela companhia. O custo final inclui uma série de componentes ao longo da cadeia de comercialização.
Entre os principais fatores que influenciam o preço pago pelo consumidor estão:
Custos operacionais e margem de lucro de distribuidoras e postos revendedores;
Tributos federais, como Cide, PIS/Pasep e Cofins;
O ICMS, imposto estadual cuja alíquota varia de acordo com cada unidade da federação.
Detalhes do reajuste anunciado
Em nota oficial, a Petrobras informou que o ajuste será aplicado ao diesel A, que é o combustível puro vendido às distribuidoras. Após a mistura obrigatória com 15% de biodiesel, forma-se o diesel B, comercializado nos postos.
Segundo a empresa, “Considerando a mistura obrigatória de 85% de diesel A e 15% de biodiesel, o ajuste é equivalente a R$ 0,32 por litro sobre o diesel B comercializado nos postos.”
Com o novo reajuste, o preço médio do diesel A vendido pela companhia às distribuidoras passa a ser R$ 3,65 por litro, enquanto a participação da Petrobras no valor final do diesel B vendido ao consumidor será, em média, de R$ 3,10 por litro.
A estatal também ressaltou que “o último ajuste de preços da Petrobras para as distribuidoras, foi uma redução que ocorreu há 311 dias (em 06/05/2025) e que o último aumento realizado ocorreu em 01/02/2025, há mais de 400 dias portanto.”
Subvenção pode reduzir impacto do reajuste
A Petrobras informou ainda que pretende aderir ao programa de subvenção criado pelo governo federal. A iniciativa foi instituída pela Medida Provisória nº 1.340, de 12 de março de 2026, que prevê o pagamento de R$ 0,32 por litro às empresas beneficiárias.
De acordo com a companhia, “Diante do caráter facultativo do programa e do potencial benefício adicional, entende-se que essa adesão é compatível com o interesse da companhia.”
A assinatura do termo de adesão, no entanto, dependerá da publicação das normas regulatórias pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), responsáveis por definir o preço de referência utilizado no cálculo do subsídio.
Com isso, segundo a Petrobras, o efeito combinado entre o reajuste do diesel e a possível subvenção pode chegar a R$ 0,70 por litro, embora parte desse impacto seja compensada pelas medidas anunciadas pelo governo federal.




