O presidente do Sindicato Patronal da Madeira de Caçador, Aurélio De Bortolo, afirmou que a decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos que considerou ilegal a taxa de 50% imposta pelo presidente Donald Trump aos produtos brasileiros trouxe alívio e entusiasmo ao setor.
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Segundo ele, a notícia foi recebida no final da tarde desta sexta-feira (20) e encerra um período de grande aflição que se arrastava desde julho do ano passado. “Nos enche de alegria e entusiasmo. Nós aguardávamos por isso desde julho, lutando por todos os meios, buscando integração e entendimento por parte do nosso governo nacional para que fizesse alguma coisa. Passaram-se todos esses meses sem resolução, mas finalmente a Suprema Corte definiu que não é legal a taxa imposta ao Brasil e aos demais países”, destacou.
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Prejuízos e medidas drásticas
Aurélio explicou que a imposição da tarifa de 50% retirou as empresas de Caçador do mercado norte-americano. O setor havia investido pesadamente na modernização das indústrias, com foco na indústria 4.0, melhoria da qualidade e competitividade para atender a demanda dos Estados Unidos.
Com a taxa, os produtos se tornaram inviáveis. “Nos proíbe de vender. Nosso cliente queria comprar, mas como pagar uma porta e meia, um contêiner e meio de moldura?”, exemplificou.
Diante da crise, empresas adotaram férias coletivas, redução de jornada, compensação de horas e, em casos mais extremos, demissões e fechamento de unidades. O setor de molduras foi o mais afetado desde novembro de 2024. Em Caçador, empresas como Adami, Salamoni e Copatti sofreram impactos diretos. O compensado também foi atingido, principalmente na região, além dos segmentos de portas e móveis, que acumularam prejuízos ao longo do exercício de 2025.
Atualmente, o setor de portas em Santa Catarina opera com cerca de 40% do volume vendido anteriormente. Já o segmento de molduras trabalha entre 20% e 25%, no máximo 40%. A madeira bruta teve desempenho um pouco melhor, mas, segundo Aurélio, trata-se de um processo mais simples, que acaba fornecendo matéria-prima para concorrentes.
Retomada das negociações
Após a decisão da Suprema Corte, compradores norte-americanos já retomaram contato com as empresas catarinenses. “Recebemos vários clientes perguntando como vai funcionar agora, como vamos fazer. Há um ânimo geral”, afirmou.
Empresas brasileiras também participam de uma feira de construção nos Estados Unidos, incluindo indústrias de Santa Catarina, que já percebem o sentimento positivo no mercado internacional.
A expectativa do sindicato é que, já na próxima semana, as negociações ganhem força. “Acredito que teremos um nível muito maior de negociação. As empresas de lá também não têm produção suficiente para atender a demanda”, ressaltou.
Apesar do otimismo, Aurélio pondera que ainda existe cautela diante da possibilidade de novas medidas por parte de Trump. “Se houver outra ação, como ele disse que já tem preparada, não sabemos o que pode acontecer. Mas hoje tivemos contatos que nos enchem de esperança e certeza de que vamos atravessar esse momento e voltar a crescer”, concluiu.



