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Tensão no Oriente Médio coloca exportações brasileiras em alerta

A escalada do conflito envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos aumenta a incerteza sobre o fluxo de alimentos para o Oriente Médio e deixa o agronegócio brasileiro em estado de atenção redobrada, especialmente no setor de carnes de frango, um dos principais produtos exportados para a região. O setor acompanha de perto a situação, preocupado mais com logística do que com a demanda imediata.

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Dados do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), compilados pela CNN, mostram que produtos agropecuários representam uma fatia significativa das vendas brasileiras para a região.

O milho não moído, exceto milho doce, responde por 20,8% das exportações.

Açúcares e melaços somam 17,4%, enquanto carnes de aves frescas, refrigeradas ou congeladas correspondem a 14,5%.

Carne bovina (6,8%), farelo de soja (4,3%), animais vivos (3,9%), café não torrado (2,4%) e soja (2,3%) completam a pauta.

O frango se mantém como um dos três principais produtos exportados, destacando a importância do setor para o comércio brasileiro na região, que é altamente dependente de importações e sensível a riscos logísticos.

Logística em risco

O maior desafio atual não está na demanda, mas na logística. O Oriente Médio concentra rotas estratégicas do comércio global, como o Estreito de Ormuz e o Mar Vermelho, essenciais para o transporte de alimentos, energia e insumos. Um possível agravamento do conflito pode afetar fretes, seguros marítimos e prazos de entrega.

A ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal) informou que acompanha atentamente os desdobramentos.

“A ABPA e suas associadas estão mapeando e monitorando os pontos críticos à logística na área influenciada pelo conflito. Neste momento, o setor analisa rotas alternativas que foram utilizadas em outras ocasiões de crises na região. Vale ressaltar que não há embarques significativos de carne de frango para o Irã”, disse a associação.

Foto: Agência Brasil

Impactos indiretos para o agro

Embora o risco direto sobre contratos seja limitado, a crise pode gerar efeitos indiretos, como aumento do preço do petróleo, encarecimento do combustível marítimo (bunker), reajuste de prêmios de seguro e necessidade de desvios de rota.

Para o frango brasileiro, que já opera com margens ajustadas, qualquer aumento nos custos logísticos ou atraso na entrega pode comprometer a competitividade internacional.

O milho e o açúcar, outros produtos-chave para a região, também estão expostos à volatilidade cambial e aos custos de frete.

Segundo análises da Farmnews, crises geopolíticas tendem a aumentar a imprevisibilidade operacional, mas não necessariamente reduzem a demanda por alimentos.

No curto prazo, o foco do setor está na gestão de rotas e custos; no médio prazo, os preços do petróleo e do frete marítimo vão determinar o impacto real sobre o agronegócio brasileiro.

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