A União Europeia começa a suspender, nesta quinta-feira (3), as importações de produtos de origem animal do Brasil que não atendam às exigências sanitárias do bloco.
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A medida está relacionada às regras europeias sobre o uso de antimicrobianos na produção animal. O Brasil foi retirado da lista de países autorizados a exportar esses produtos para a União Europeia.
Nos últimos meses, o governo brasileiro e representantes do setor produtivo tentaram atender às exigências e apresentar garantias às autoridades europeias.
Uma missão da União Europeia está no Brasil para realizar inspeções em produções de carne de frango e mel. O trabalho segue até sexta-feira (4), enquanto as negociações entre os dois lados continuam.
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Governo tenta comprovar adequação sanitária
O governo brasileiro afirma que o sistema sanitário nacional atende às normas exigidas pela União Europeia.
O principal desafio, porém, está na comprovação dos controles adotados ao longo da cadeia produtiva. Entre as exigências estão rastreabilidade e registros capazes de demonstrar o cumprimento das regras sobre antimicrobianos.
O Ministério da Agricultura já estabeleceu novos procedimentos para a certificação dos produtos destinados ao mercado europeu.
A expectativa do setor é de que as exportações de carne de aves possam ser retomadas antes das demais proteínas. No caso da carne bovina, a retomada pode levar mais tempo, dependendo do avanço das negociações e da comprovação das exigências.

Santa Catarina está entre os estados mais preocupados
Em Santa Catarina, a decisão gera preocupação principalmente por causa da importância do mercado europeu para a indústria de proteína animal.
Segundo a Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC), a União Europeia representa aproximadamente 7,5% das exportações catarinenses de carnes e produtos avícolas, movimentando cerca de US$ 170 milhões por ano.
A entidade alerta que uma interrupção prolongada pode provocar dificuldades para redirecionar rapidamente esse volume para outros mercados.
Os impactos podem atingir não apenas os frigoríficos, mas também produtores integrados, transportadores, fornecedores e outros segmentos ligados à cadeia de produção.
A FIESC também aponta risco de redução da produção e de postos de trabalho, principalmente no Oeste catarinense, onde a agroindústria possui forte participação na economia.

Setor busca alternativas para manter produção
Apesar da preocupação, a agroindústria catarinense já passou por mudanças importantes no mercado internacional e conseguiu buscar novos destinos para seus produtos.
No caso da avicultura, o ciclo produtivo mais curto facilita ajustes na produção. A atividade leva cerca de três meses, período inferior ao da suinocultura, que pode chegar a seis meses ou mais.
Em Santa Catarina, a carne suína não é exportada para a União Europeia, assim como a carne bovina, o que reduz o impacto direto nessas duas cadeias estaduais.
Já o mel e os pescados catarinenses têm como principais destinos outros mercados, especialmente os Estados Unidos. Esses produtos, porém, também enfrentam um cenário internacional mais desafiador diante das tarifas norte-americanas.
Enquanto isso, Brasil e União Europeia seguem negociando uma solução para as exigências sanitárias e a retomada do comércio.





