Um grave erro no Instituto Médico-Legal (IML) de Florianópolis resultou na troca de corpos e levou uma família a enterrar, por engano, uma pessoa desconhecida no lugar de um jovem motociclista de 24 anos. O caso envolve Juliano Henrique Guadagnin da Silva, que morreu em um acidente de moto na capital catarinense, e ganhou repercussão após a descoberta do equívoco poucos dias depois do sepultamento.
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A situação veio à tona quando a mãe de Juliano foi informada pela funerária de que o corpo do filho ainda permanecia no necrotério, mesmo após o enterro já realizado com caixão fechado.
O velório ocorreu sem reconhecimento visual, já que o IML alegou que o rosto da vítima estaria gravemente comprometido. No entanto, a família contestou a informação e apresentou um vídeo do local do acidente que mostrava condição diferente da descrita.
Segundo relato registrado em boletim de ocorrência, ao qual a imprensa teve acesso, a mãe afirmou ter recebido a confirmação do erro após contato da funerária. Juliano morreu no dia 9 de abril e foi enterrado no dia seguinte, mas a troca só se tornou pública dias depois, gerando forte comoção e indignação.
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Troca envolveu três vítimas e diferentes sepultamentos
A falha no IML não atingiu apenas Juliano. O erro envolveu também dois homens identificados como Denner Dario Colodina e Patrick Nunes Ferreira, mortos em um caso de homicídio em São José, na Grande Florianópolis. Ambos tinham histórico policial e foram encontrados próximos a um veículo carbonizado.
Com a confusão na identificação e liberação dos corpos, ocorreu a seguinte inversão: Denner foi enterrado no lugar de Juliano no Cemitério do Rio Vermelho, Patrick foi sepultado no lugar de Denner no Cemitério do Itacorubi, enquanto o corpo de Juliano permaneceu no IML.
Famílias relatam dor e acusam falha grave do sistema
A mãe de Juliano, Mônica Raquel Guadagnin, relatou a dor da situação e cobrou responsabilização.
“Queremos justiça para que isso não se repita e não aconteça com outras famílias. A dor de perder um filho já é lastimável. É imperdoável uma mãe enterrar o filho, não existe uma resposta para você enterrar o seu filho duas vezes”, declarou.
Em outro ponto do caso, funcionárias de funerárias relataram à Polícia Civil que houve sugestão indevida por parte de servidores do IML para que o erro fosse ocultado, o que aumentou ainda mais a gravidade da denúncia. As funerárias reuniram as famílias após a descoberta para esclarecer o ocorrido.
Polícia Científica admite erro e abre investigação
Em nota oficial, a Polícia Científica de Santa Catarina reconheceu a falha e afirmou que o próprio sistema interno identificou a inconsistência. A instituição informou que abriu investigação na Corregedoria para apurar responsabilidades e revisar protocolos.
Além disso, a corporação destacou que já iniciou mudanças nos procedimentos de identificação, custódia e liberação de corpos, com o objetivo de evitar novos erros. A entidade também pediu desculpas às famílias e classificou o caso como uma “exceção lamentável”.

