Os maus-tratos contra animais não se restringem apenas a casos de agressões físicas. Situações de negligência, muitas vezes presentes na rotina, também configuram crime e colocam em risco direto a saúde e o bem-estar dos animais. O alerta é do médico veterinário Tiago Miranda, que reforça a necessidade de conscientização da população sobre o tema.
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Segundo o profissional, atitudes aparentemente simples do dia a dia já podem ser enquadradas como maus-tratos pela legislação. Ele explica que a falta de cuidados básicos é um dos principais problemas observados.
Negligência também é considerada maus-tratos
De acordo com o veterinário, deixar um animal exposto ao sol por longos períodos, sem acesso à sombra, água ou alimentação adequada, já caracteriza maus-tratos. Além disso, animais em estado de desnutrição, infestados por pulgas e carrapatos ou com doenças sem tratamento também se enquadram nessa condição.
“Deixar um animal exposto ao sol, sem sombra, sem água ou alimentação adequada, já se enquadra como maus-tratos. Animais magros, desnutridos, com infestação de pulgas e carrapatos, ou com doenças sem tratamento também estão nessa condição”, explica.
Além da negligência, ainda são registrados casos mais graves, como agressões físicas e envenenamentos, que seguem sendo comuns nos atendimentos veterinários.
Animais silvestres também são vítimas de violência
A situação também atinge animais silvestres, muitas vezes vítimas de agressões por medo ou falta de conhecimento da população. Segundo o especialista, casos envolvendo gambás são frequentes, chegando aos atendimentos em estado crítico.

Há registros de animais com queimaduras, ferimentos graves e até mutilações, como cortes em orelhas e caudas.
“Já recebemos animais com orelhas ou partes da cauda cortadas. Infelizmente, algumas pessoas preferem agredir ou até matar esses animais, ao invés de acionar um órgão responsável”, relata o veterinário.
Atendimento e recuperação dependem da gravidade
Quando resgatados, os animais geralmente chegam em estado delicado e precisam de atendimento imediato. Os principais problemas incluem dor intensa, fraturas, infecções e desidratação.
O tratamento inicial consiste na estabilização do animal, controle da dor e reidratação. Em casos mais graves, podem ser necessários procedimentos cirúrgicos e internação.

A recuperação varia conforme o quadro clínico. Enquanto alguns animais se recuperam totalmente, outros podem ficar com sequelas permanentes ou não resistir devido à gravidade das lesões.
Denúncia é fundamental para combater maus-tratos
O veterinário reforça que a população tem papel essencial na identificação e combate aos maus-tratos. Entre os sinais de alerta estão animais magros, feridos, assustados, sem acesso a abrigo, água ou alimento, além de dificuldades de locomoção e feridas sem tratamento.

Ao identificar qualquer suspeita, a orientação é realizar a denúncia junto às autoridades competentes. A recomendação é acionar a Polícia Ambiental ou ligar para o número 190.
A conscientização coletiva é apontada como uma das principais ferramentas para reduzir casos de maus-tratos e garantir o bem-estar dos animais domésticos e silvestres.




