Um curso voltado à abordagem e ao manejo emergencial de pessoas autistas vem sendo aplicado em Caçador com foco na capacitação das forças de segurança e de outros profissionais que atuam diretamente com o público. A iniciativa é conduzida por Fábio Garcia, instrutor e pai de uma criança autista não verbal, e já foi realizada com a Guarda Municipal e com os Bombeiros Voluntários do município.
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A formação surgiu a partir da vivência pessoal de Fábio, que passou a refletir sobre como pessoas autistas, especialmente aquelas com maior grau de suporte, podem ser tratadas em situações de emergência ou abordagens oficiais. Segundo ele, o principal alerta é o fato de que muitas pessoas autistas não respondem a comandos verbais, o que pode gerar interpretações equivocadas por parte de agentes despreparados.
Para desenvolver o conteúdo, Fábio buscou capacitação no Paraná com o major Murilo, do Corpo de Bombeiros Militar do Paraná, que também é pai de autista e responsável pela criação de protocolos específicos para esse tipo de atendimento. A partir da união entre teoria e vivência prática, foram elaborados protocolos adaptados para diferentes áreas, como segurança pública, bombeiros, defesa civil e educação.
Além das forças de segurança, o curso também contempla orientações para professores, atendentes de postos de saúde, hospitais, escolas, mercados e demais setores do atendimento ao público. O objetivo é ensinar a identificar sinais de crise, entender o que pode desencadeá-las e, principalmente, como agir para evitar ou desescalonar situações de surto, garantindo a segurança da pessoa autista e de quem está ao redor.

Fábio destaca que ambientes como escolas, unidades básicas de saúde e hospitais costumam ser percebidos como hostis por muitas pessoas autistas, o que faz com que crises se instalem de forma mais rápida. Por isso, o preparo dos profissionais é fundamental. Ele lembra ainda casos noticiados no país envolvendo condutas inadequadas, como imobilizações violentas, amarrações e até mortes em abordagens policiais durante crises de pessoas neurodivergentes.
O curso tem carga horária de 10 horas, divididas entre parte teórica — que aborda a percepção sensorial e comportamental dos autistas — e uma etapa prática. Nessa fase, são ensinadas técnicas de contenção, diferentes da imobilização tradicional, com foco em proteger a pessoa em crise sem causar danos físicos, preservando o conforto e a segurança.
De acordo com o instrutor, a chave para um atendimento adequado está na criação de vínculo e confiança. “Não se pode chegar encostando ou tentando conduzir a pessoa imediatamente. É preciso estabelecer contato, mostrar que está ali para ajudar. Caso contrário, a agitação e a crise tendem a aumentar”, explica.
A partir de abril de 2026, entidades, empresas, escolas e instituições interessadas poderão solicitar o curso. As instruções são gratuitas e devem ser requisitadas por meio de um pedido formal à Guarda Municipal de Caçador, onde Fábio Garcia atua. Para cada segmento, há um protocolo específico, sempre priorizando o bem-estar da pessoa autista, de seus familiares e da comunidade em geral.




