A investigação da Polícia Civil de Santa Catarina trouxe novos detalhes sobre o caso do empresário do ramo funerário Pedro Rodrigues Alves, de 54 anos, morto após um suposto envenenamento em Videira, no Meio- Oeste catarinense. Segundo o delegado responsável pelo caso, Édipo Flamia, a principal suspeita — esposa da vítima — teria se aproveitado da repercussão da chamada “crise do metanol” no país para dificultar a identificação do crime.
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De acordo com a apuração, a linha investigativa considera que o contexto nacional de intoxicações por bebidas adulteradas com metanol pode ter sido utilizado como uma espécie de “cobertura” para a ação criminosa, especialmente pela coincidência temporal entre o período de grande repercussão do tema e o envenenamento.
A chamada “crise do metanol” ocorreu em 2025, quando o Brasil registrou casos graves de intoxicação provocados pela ingestão de bebidas alcoólicas falsificadas contaminadas com a substância, altamente tóxica e de uso industrial.
☠️ Envenenamento teria ocorrido ao longo de semanas com diferentes substâncias
Segundo a investigação, o crime não teria ocorrido de forma isolada. A Polícia Civil aponta que a vítima foi envenenada ao longo de aproximadamente um mês, com o uso de diferentes substâncias tóxicas.
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A apuração indica que teriam sido utilizados metanol misturado à cerveja consumida pelo empresário, além de soda cáustica adicionada a medicamentos e o agrotóxico conhecido popularmente como “chumbinho”, substância proibida pela Anvisa.
O delegado destacou ainda que houve tentativa de mascarar o crime, simulando uma possível morte por causas naturais e dificultando o trabalho pericial.
🏥 Internação, agravamento do quadro e confirmação de intoxicação
Pedro Rodrigues Alves foi internado em estado grave no dia 5 de fevereiro no Hospital Divino Salvador, em Videira. Ele permaneceu em UTI, sedado e em ventilação mecânica durante praticamente todo o período de internação.

Exames toxicológicos apontaram intoxicação por substâncias como carbamato ou organofosforado. Mesmo com o atendimento intensivo, o empresário não resistiu e morreu no dia 15 de fevereiro, após cerca de dez dias hospitalizado.
🔍 Suspeitos estão presos e podem responder por homicídio qualificado
A esposa da vítima e o amante dela são apontados como principais suspeitos do crime e estão presos preventivamente — ela em Chapecó e ele em Palmas, no Paraná. Ambos permaneceram em silêncio durante o interrogatório.
Segundo a Polícia Civil, a investigação concluiu que o crime teria sido planejado com motivação patrimonial e também pelo desejo de os dois suspeitos viverem juntos.
Eles foram indiciados por homicídio qualificado, com agravantes como motivo torpe, uso de veneno e emprego de meio insidioso e cruel, o que teria dificultado qualquer possibilidade de defesa da vítima.
A investigação também identificou possíveis tentativas de destruição de provas e movimentações para ocultar a real causa da morte. Além disso, há indícios de que a esposa teria pago um profissional de enfermagem para obter informações privilegiadas sobre o estado de saúde do marido durante a internação, o que também está sob análise.




