O mercado de locação em Santa Catarina iniciou o ano com um sinal de atenção. A inadimplência no pagamento de aluguéis apresentou crescimento entre janeiro e fevereiro, seguindo uma tendência observada em todo o país. Dados do Índice de Inadimplência Locatícia, divulgados pela Superlógica, indicam que a taxa estadual subiu de 2,09% para 2,44% no período. Apesar disso, o índice ainda permanece abaixo da média nacional, que atingiu 3,35%.
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Embora os números não sejam considerados alarmantes em nível estadual, especialistas destacam que o início do ano costuma pressionar o orçamento das famílias.
Despesas acumuladas, como impostos, matrículas escolares e dívidas anteriores, contribuem diretamente para esse cenário. Dessa forma, o aumento, ainda que moderado, exige atenção por parte do setor imobiliário.
Restrição de crédito preocupa mais que inadimplência
Na região de Videira, o panorama apresenta uma particularidade relevante. Segundo o corretor de imóveis, conselheiro e delegado regional do CRECI-SC, Jairo Netto, o principal desafio atual não está diretamente relacionado ao atraso nos pagamentos, mas sim à dificuldade de aprovação cadastral.
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“Muitas pessoas procuram imóveis para locação, mas acabam não conseguindo avançar no processo por conta de restrições no cadastro. Isso reflete diretamente o alto nível de endividamento. Hoje, a maior preocupação não é a inadimplência em si, mas sim a dificuldade que as pessoas estão tendo para conseguir aprovação na hora de alugar”, explica.
De acordo com o especialista, esse movimento evidencia que parte da população já enfrenta limitações financeiras antes mesmo de assumir novos compromissos.
Como resultado, o número de contratos efetivados diminui, impactando diretamente o dinamismo do mercado de locação na região.

Diferenças entre faixas de aluguel e perfil dos imóveis
O levantamento estadual também revela variações importantes conforme o valor dos imóveis.
No segmento residencial, os maiores índices de inadimplência concentram-se tanto nas faixas mais baixas, de até R$ 1 mil, quanto nas mais elevadas, acima de R$ 13 mil.
Em contrapartida, imóveis com valores intermediários, entre R$ 2 mil e R$ 5 mil, apresentam maior estabilidade nos pagamentos.
Já no setor comercial, a tendência se mantém: imóveis de menor valor lideram os índices de atraso, indicando maior vulnerabilidade entre pequenos empreendedores e negócios de menor porte.
Região Sul mantém menor índice do Brasil
Mesmo com a elevação registrada no período, a região Sul segue apresentando o menor índice de inadimplência do país, com taxa de 2,87%. O resultado permanece inferior aos registrados nas regiões Norte e Nordeste, que concentram os maiores percentuais.
O Índice de Inadimplência Locatícia considera dados de mais de 600 mil contratos ativos em todo o Brasil. Para efeito de cálculo, são classificados como inadimplentes os contratos com atraso superior a 60 dias.





