Você conhece o pinhão macaco? Saiba tudo sobre essa espécie

Pinha não debulha facilmente e essa característica deu origem ao nome. É colhido em setembro e tem sabor adocicado

Existem no Sul do Brasil diferentes espécies de pinhão. Basicamente a divisão consiste em pinhão branco, vermelho, kaiova – que é uma semente maior do que as tradicionais – e o pinhão macaco –  que é uma variedade tardia.

O pinhão macaco se diferencia dos demais por ser colhido fora do período tradicional da safra, que vai se abril a junho. Na propriedade da família Scolaro de Souza, na linha Paiol Velho, em Caçador, no Meio-Oeste de SC, o Ademir e a Cirineide colheram pinhão em pleno dia 19 de setembro.

“Esse pinheiro é todo ano que dá nessa época mais ou menos. E se a gente não tirar ele apodrece ou brota, estraga. Então nós tiramos sempre nessa época, é um pinhão bem do tarde”, diz a produtora rural.

O nome vem de uma das características desta variedade. A pinha dificilmente debulha, como explica o agrônomo da Epagri, Charles Seidel. “A ponta desse pinhão é branca e achatada. Ela não desgruda fácil do meio da pinha. Antigamente se via os macacos derrubando essas pinhas pra se alimentar. E muitas vezes até batendo as pinhas em uma pedra”, comenta.

O Ademir usou uma escada para subir no pinheiro e derrubar 25 pinhas. No total foram seis quilos de pinhão que ele distribuiu para amigos.

E como os produtos fora de época são sempre mais valorizados, a Cirineide lembra que foi só postar nas redes sociais que choveu interessados em comprar o pinhão macaco. O casal tem uma barraquinha na feira do produtor, mas não quis vender, apenas distribuir para degustação. “Pra mim isso aqui é uma relíquia. Um pinhão de sabor marcante bem doce”.

Essa é outra característica marcante do pinhão macaco. Ele é mais doce em comparação aos da safra normal. A nossa equipe de reportagem ganhou uma porção para comprovar que é mesmo uma delícia. Fizemos ele assado na chapa, mas se você conseguir essa raridade, a receita fica por sua conta. “Vai bem cozido também. E um entrevero ou farofa de pinhão então nem se fala”.