Um caso envolvendo o corte de uma árvore de Araucária no interior de Catanduvas chegou ao Supremo Tribunal Federal – STF e pode redefinir como crimes ambientais são julgados em todo o Brasil. O processo teve a chamada “repercussão geral” reconhecida, o que significa que a decisão da Corte deverá ser aplicada a todos os casos semelhantes no país.
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O tema central da discussão é definir se crimes ambientais envolvendo espécies nativas ameaçadas de extinção devem ser julgados pela Justiça Federal ou pela Justiça Estadual. Atualmente, há divergências entre tribunais brasileiros, o que levou o STF a suspender todos os processos relacionados ao tema até uma decisão definitiva.
Em entrevista ao programa RBV Entrevista, os advogados Vigando Neto e Larissa Botan, do escritório Alencar e Martinazzo, explicaram que tanto a defesa quanto o Ministério Público de Santa Catarina defendem que o julgamento seja feito pela Justiça Estadual. Segundo eles, o argumento principal é que o crime ocorreu em âmbito local e, portanto, deve ser analisado por um juiz que conheça a realidade da comunidade.
“A compreensão do contexto regional é fundamental. Um juiz da comarca tem mais proximidade com a realidade local, com a cultura e com o impacto daquele crime ambiental específico”
O caso ganhou relevância nacional justamente por não haver um entendimento consolidado sobre o tema. Embora o STF já tenha decidido, em outro momento, que crimes envolvendo espécies com impacto internacional devem ser julgados pela Justiça Federal, a situação atual é diferente. Neste processo, a discussão envolve uma espécie típica do Sul do Brasil, sem impacto transnacional direto.
Com o reconhecimento da repercussão geral, todos os processos no Brasil que tratam de crimes ambientais semelhantes estão suspensos. A decisão final do STF criará uma diretriz obrigatória para todo o sistema judiciário, garantindo maior segurança jurídica e uniformidade nos julgamentos.
De acordo com os especialistas, independentemente do resultado, a decisão terá impacto imediato. “Hoje há insegurança jurídica, com casos semelhantes sendo julgados de formas diferentes. O STF vai uniformizar esse entendimento”, explicaram.
A expectativa é que o julgamento também influencie diretamente a forma como o meio ambiente é protegido no país. No entanto, os advogados reforçam que a discussão não enfraquece a legislação ambiental. Pelo contrário, pode fortalecer a aplicação da lei ao considerar as particularidades de cada região.
Outro ponto destacado é que o caso, originado no interior de Santa Catarina, demonstra como processos locais podem alcançar impacto nacional. “É uma situação que mostra que uma discussão regional pode chegar ao STF e influenciar todo o Brasil”, ressaltaram.
Ainda não há data definida para o julgamento, mas a decisão é aguardada com grande expectativa por juristas, ambientalistas e operadores do direito, já que deverá estabelecer um novo marco na definição de competências em crimes ambientais no país.





