Centenas de caminhoneiros brasileiros continuam enfrentando uma situação de extrema dificuldade na fronteira entre Argentina e Chile, após uma sequência de fortes nevascas atingir a região da Cordilheira dos Andes. Entre os profissionais afetados estão motoristas de Santa Catarina, que permanecem retidos há vários dias em meio ao gelo, às baixas temperaturas e às condições precárias de infraestrutura.
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O fenômeno provocou o fechamento de importantes passagens internacionais e formou extensas filas de caminhões. Com as estradas cobertas por neve e gelo, os motoristas precisam aguardar uma janela segura para retomar o trajeto.
A espera prolongada trouxe uma série de problemas. Além das temperaturas negativas, os caminhoneiros relatam dificuldades para conseguir alimentação, tomar banho e manter condições mínimas de conforto. A indefinição sobre a reabertura das rotas também aumenta a preocupação entre os profissionais.
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O transporte catarinense está entre os segmentos diretamente atingidos pela paralisação. Uma transportadora de Concórdia, no Oeste de Santa Catarina, chegou a ter aproximadamente 50 caminhões parados na região afetada.
Motoristas de outras partes do Estado também foram surpreendidos pela situação. Um deles é Jairo Luan Gomes, de Sombrio, no Sul catarinense, que chegou a completar 26 dias de retenção e continuava sem uma previsão definitiva para deixar a aduana.
Informações repassadas por transportadores indicam que mais de 1,2 mil caminhões chegaram a ficar parados no Paso Pino Hachado. Em determinados períodos, a quantidade de veículos impactados pela interrupção foi ainda maior.
O cenário deixou de ser apenas um problema para os motoristas e passou a gerar reflexos em toda a cadeia logística, afetando empresas de transporte, cargas e operações comerciais entre os países.
Caminhões se transformam em abrigo contra o frio
Com a permanência forçada na estrada por semanas, as cabines dos veículos passaram a ser o principal espaço de proteção para os motoristas. Muitos permanecem dentro dos caminhões durante boa parte do dia para tentar escapar das temperaturas extremas.
Jairo contou que as condições oferecidas na aduana são limitadas. Segundo o motorista, não existem banheiros adequados nem chuveiros com água quente. Em alguns locais, os profissionais precisam recorrer à água fria mesmo diante de temperaturas abaixo de zero.
Estoque de alimentos começa a diminuir
Outro problema enfrentado pelos caminhoneiros é a alimentação. Muitos saíram do Brasil com mantimentos suficientes para uma viagem de duração normal, mas a paralisação por várias semanas obrigou os profissionais a controlar rigorosamente os estoques.
O caminhoneiro Ribamar Laudares, de Chapecó, também passou pela situação. Ele ficou 11 dias retido e acompanhou a redução dos alimentos que havia levado para a viagem.
Sem comércio próximo, as alternativas disponíveis eram escassas. Em um dos pontos de parada, por exemplo, havia um food truck que comercializava produtos simples, como cachorro-quente e café.

Falta de banho quente aumenta dificuldades
A higiene pessoal se tornou outro desafio durante a longa espera. Ribamar relatou que, no lado chileno, havia somente um chuveiro disponível para mais de 300 profissionais.
O equipamento utilizava um reservatório com aproximadamente 100 litros de água aquecida, o que fazia com que os motoristas precisassem organizar a rotina para tentar conseguir acesso ao banho.
Registros feitos pelos próprios caminhoneiros mostram a dimensão da nevasca. Em diversos pontos, os veículos ficaram parcialmente cercados pela neve, enquanto as pistas foram tomadas por gelo.
A paralisação também provoca consequências financeiras para as transportadoras. Caminhões parados representam atrasos na entrega das cargas, motoristas impossibilitados de cumprir novos trajetos, necessidade de alterações de rota e aumento dos custos das operações.
Para os profissionais que permanecem dentro das cabines, porém, os impactos vão além dos prejuízos financeiros. Cada dia de espera significa mais tempo distante da família, exposto ao frio intenso e dependendo de uma estrutura limitada.




