A investigação da morte da empresária de Caçador, Geny Maria Angeli Michielin, de 70 anos, apontou novas irregularidades relacionadas ao procedimento estético realizado em uma clínica de Lages. Conforme a Polícia Civil, o dentista responsável pela técnica não possuía habilitação reconhecida para executar o procedimento. A apuração também encontrou instalações do estabelecimento que operavam sem os alvarás exigidos.
PARTICIPE DO NOSSO GRUPO NO WHATSAPP E RECEBA NOTÍCIAS
Geny morreu no dia 17 de junho, após apresentar complicações um dia depois de realizar o procedimento estético. Segundo os laudos reunidos durante o inquérito, a causa da morte foi um choque hipovolêmico hemorrágico.
A empresária foi levada ao Hospital Nossa Senhora dos Prazeres depois que seu estado de saúde se agravou, mas não resistiu. A partir da morte, a Polícia Civil iniciou uma investigação para esclarecer as circunstâncias do atendimento e identificar eventuais responsabilidades.
Veja também
Polícia Militar Ambiental localiza dois caminhões furtados em área rural de Caçador
SC chega a 12 municípios em situação de emergência após temporais
Perícias apontaram causa da morte
Durante a apuração, foram realizadas perícias médico-legais, no local e também análises de informática forense. Os trabalhos incluíram a avaliação de materiais recolhidos durante uma operação de busca e apreensão na clínica.
Entre os itens apreendidos estavam equipamentos de armazenamento e imagens das câmeras de segurança do estabelecimento, além de documentos relacionados aos profissionais que participaram do atendimento.
A análise desse conjunto de provas, juntamente com depoimentos e demais documentos incorporados ao inquérito, levou a Polícia Civil a concluir que Geny morreu em razão de um choque hipovolêmico hemorrágico.
Dentista não teria habilitação para a técnica
Outro ponto destacado pela investigação envolve a formação profissional do dentista que realizou o procedimento.
De acordo com a Polícia Civil, o profissional possui registro como cirurgião-dentista e tinha habilitação registrada no Conselho Regional de Odontologia de Santa Catarina (CRO-SC) em Harmonização Orofacial.
No entanto, segundo a investigação, essa habilitação não abrangia as especialidades de Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial ou Cirurgia Estética Orofacial, apontadas pela autoridade policial como necessárias para a execução da técnica utilizada no atendimento de Geny.
A apuração também identificou outros procedimentos realizados pelo mesmo profissional. Segundo a Polícia Civil, os casos analisados indicariam uma evolução para intervenções consideradas cada vez mais invasivas e complexas.
Clínica tinha instalações sem alvarás
As diligências também encontraram irregularidades relacionadas ao funcionamento da clínica. Segundo a Polícia Civil, parte da estrutura utilizada pelo estabelecimento não possuía Alvará Sanitário e Alvará de Funcionamento.
A situação foi identificada durante as ações realizadas pela Vigilância Sanitária Municipal.
A Polícia Civil ressaltou, porém, que a irregularidade não significa que toda a clínica funcionasse sem documentação. A constatação se refere especificamente a parte das instalações, que estaria sem os documentos exigidos pela legislação.
Profissionais foram indiciados
Com base nas provas reunidas durante o inquérito, a Polícia Civil informou que os profissionais envolvidos foram indiciados, em tese, por homicídio, considerando as modalidades dolosa e culposa de acordo com a participação e a previsibilidade atribuída a cada investigado. Também houve indiciamento por exercício ilegal da profissão.
Após a conclusão da investigação, o procedimento foi encaminhado ao Ministério Público. Conforme informado pela Polícia Civil, a Promotoria de Justiça concordou com o entendimento apresentado no inquérito e solicitou que o caso fosse encaminhado à Vara do Júri competente.
A Justiça também determinou uma medida cautelar solicitada pela Polícia Civil. Entre as restrições estabelecidas está a suspensão da realização de procedimentos cirúrgicos para os quais o profissional não tenha habilitação técnica reconhecida pelo CRO-SC.
Morte ocorreu após procedimento em Lages
Geny Maria Angeli Michielin era empresária em Caçador e proprietária de uma fábrica de solas de calçados. Ela esteve em uma clínica de Lages no dia 16 de junho, onde realizou um lifting facial e outro procedimento estético.
No dia seguinte, após o surgimento de complicações, a empresária precisou ser encaminhada ao hospital, mas acabou morrendo.
Na etapa inicial da investigação, a Polícia Civil informou que ainda aguardava os resultados das perícias para determinar a causa da morte e esclarecer a sequência dos acontecimentos após o procedimento. Por isso, foram solicitados à clínica documentos, imagens de segurança e outros materiais considerados relevantes para a apuração.
Antes da divulgação das novas conclusões policiais, a defesa do estabelecimento havia declarado que o procedimento tinha sido realizado por um profissional habilitado, seguindo as normas do Conselho Federal de Odontologia, e que os protocolos de segurança haviam sido adotados.
Essa manifestação ocorreu antes da conclusão das novas etapas da investigação e da divulgação dos elementos apontados pela Polícia Civil.




