Tiradentes e a luta pela liberdade que ainda ecoa no Brasil atual

Entenda como o sacrifício de Tiradentes em 1792 moldou a identidade brasileira e por que suas reivindicações continuam tão atuais

O feriado de 21 de abril resgata um dos episódios mais marcantes e dramáticos da nossa formação como nação. Nesta data, relembramos o sacrifício de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, que se tornou o rosto da Inconfidência Mineira e um símbolo imortal de resistência. Para aprofundar essa conexão histórica, conversamos com o historiador Júlio Corrente, que detalhou o peso desse legado para os brasileiros de hoje.

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A execução de Tiradentes em 1792 não foi apenas uma sentença de morte comum, mas uma demonstração de força brutal do império. Como recorda o historiador, “Tiradentes era enforcado e o seu corpo esquartejado em quatro partes, sendo exposto para toda a estrada de Minas Gerais e a sua cabeça exposta na Vila Rica para punição de um ato contra o império português, onde queria a independência de Minas Gerais e do Brasil”.

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A liberdade como um sonho permanente

Embora séculos tenham se passado desde o esquartejamento de seu corpo, os ideais que moviam aquele grupo de inconfidentes parecem não ter envelhecido. De acordo com Júlio Corrente, o desejo por autonomia e soberania nacional permanece enraizado na cultura do nosso povo. Ele destaca que houve “mudanças estruturais, mudanças culturais, mas em suma um sonho que acho que continua dentro de todo o cidadão brasileiro é a questão da liberdade, a questão da soberania de um país”.

A homenagem que o mártir recebe anualmente através do feriado nacional foi consolidada apenas muito tempo depois, com a Proclamação da República em 1889. Esse reconhecimento póstumo serviu para elevar o herói ao panteão nacional, transformando sua luta individual em uma vitória coletiva para a identidade do país que surgia naquele momento.

Tiradentes e a luta pela liberdade que ainda ecoa no Brasil atual
Foto: Nova Brasil

Impostos e a conexão com os dias de hoje

Um ponto curioso e muito relevante citado pelo historiador é a motivação econômica da revolta. Naquela época, o estopim da indignação popular era a alta carga tributária imposta pela Coroa Portuguesa, conhecida como Derrama. “Hoje há uma questão de tributação. Na época, Tiradentes também, a carga do imposto do império português que tirava casas, tirava terrenos, tirava a vida da pessoa, tirava a pessoa expulsa do país até o famoso derrama”.

Ao analisar o cenário atual, Corrente percebe que, embora o contexto tenha se modernizado, a essência das reclamações sociais mantém uma semelhança impressionante. Em sua visão, as lutas do século XVIII e as do século XXI se tocam em muitos pontos. “Mudou as circunstâncias, mudam-se os tempos, a modernização, há todo um enfoque, mas as lutas continuam quase idênticas. Então essa é a situação do Brasil atual e é a situação do Brasil do século XVIII”.

O exemplo de honra e liderança

O diferencial que colocou Tiradentes na história foi sua coragem de não recuar, mesmo diante da traição. Enquanto outros membros da Inconfidência foram presos ou exilados, ele assumiu a responsabilidade total pelo movimento. O historiador ressalta que “Tiradentes assumiu toda a culpa para ele, mesmo ele sendo entregue, denunciado pelos membros dessas que faziam parte da Inconfidência Mineira”.

Essa postura firme diante da morte é o que o define como uma figura de liderança ética. Conforme conclui Júlio Corrente, “aí está a hombridade, a moralidade de uma pessoa que se assume como um líder e assume até o final o que ele estava lutando”. Assim, o 21 de abril deixa de ser apenas um dia de folga para se tornar uma oportunidade de reflexão sobre quais liberdades ainda estamos buscando conquistar.

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Fonte:
Gustavo Fambomel | Portal RBV | Com informações Historiador Julio Corrente

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