Uma degustação técnica realizada na Estação Experimental da Epagri, em Videira, reuniu pesquisadores, enólogos, sommeliers e representantes de vinícolas catarinenses para avaliar um experimento pouco comum no universo da vitivinicultura. O objetivo é descobrir se o envelhecimento de vinhos no fundo do mar provoca alterações perceptíveis na bebida e se a técnica pode representar uma nova oportunidade para o setor.
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O estudo integra um projeto de pesquisa desenvolvido pela Epagri em parceria com uma escola de mergulho e uma loja especializada em vinhos. As garrafas permanecem submersas a cerca de 12 metros de profundidade, no litoral de Bombinhas, onde ficam armazenadas durante vários meses antes de retornarem para análise.
Segundo o pesquisador da Epagri, Vinícius Caliari, a iniciativa começou no ano passado e busca respostas que ainda não foram plenamente esclarecidas pela ciência.
“Realmente é um projeto de pesquisa que a gente começou já no ano passado e que é a avaliação de maturação e afinamento de vinhos subaquáticos.”
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Especialistas comparam vinhos submersos e convencionais
Nesta etapa da pesquisa, os especialistas analisaram vinhos da safra passada, colocados no mar em novembro. Entre as amostras estão vinhos produzidos pela própria Estação Experimental com variedades resistentes, conhecidas como PIV, além de rótulos comerciais elaborados por vinícolas dos Vinhos de Altitude de Santa Catarina.
Durante a degustação, os participantes realizaram um teste triangular, método amplamente utilizado na análise sensorial para verificar se existe diferença entre duas amostras aparentemente semelhantes.

A intenção é identificar se o ambiente marinho interfere em características como aroma, sabor, estrutura e evolução da bebida ao longo do tempo.
Pesquisa vai além da beleza das garrafas
As garrafas retiradas do fundo do mar chamam atenção pelo aspecto visual. Cobertas por incrustações marinhas, elas se transformam em peças únicas e despertam interesse tanto de consumidores quanto de colecionadores.
Entretanto, Caliari destaca que o foco principal da pesquisa não está na aparência.
“O que a gente quer avaliar realmente é se existe diferença nos vinhos e se essa diferença aí ela é para melhor ou para pior nos vinhos.”
Após a degustação, todas as avaliações serão submetidas à análise estatística. Somente depois desse processo será possível confirmar, cientificamente, se as diferenças percebidas pelos especialistas são realmente significativas.
Primeiras avaliações indicam mudanças em alguns rótulos
Os pesquisadores já realizaram análises anteriores com vinhos submersos e alguns resultados começaram a surgir.
Segundo Vinícius Caliari, os vinhos brancos apresentaram alterações perceptíveis, enquanto os tintos mantiveram características semelhantes às das garrafas armazenadas de maneira convencional.
“Numa outra avaliação que a gente fez, alguns vinhos brancos modificaram, os tintos nós não percebemos diferença.”
Nesta nova etapa, participam da degustação profissionais de diferentes regiões do Estado, incluindo enólogos, especialistas em sommelieria e representantes de vinícolas, ampliando a diversidade técnica da avaliação.

Projeto também avalia potencial turístico da iniciativa
Além dos resultados científicos, o estudo pode abrir espaço para novas experiências ligadas ao enoturismo catarinense.
A ideia é unir a produção de vinhos, o mergulho, a gastronomia e o turismo em uma proposta diferenciada, aproveitando o potencial do litoral catarinense.
O pesquisador explica que ainda existem poucos estudos sobre esse tipo de envelhecimento no mundo, o que torna o trabalho desenvolvido pela Epagri pioneiro.
“Não existe bibliografia no mundo que relate isso aí.”
Mesmo que as análises não comprovem mudanças significativas na bebida, Caliari destaca que o projeto continuará contribuindo para o conhecimento científico.
“Nem sempre o resultado que a gente busca, resultados negativos também são resultados.”

Além do aspecto técnico, as garrafas retiradas do mar se transformam em produtos exclusivos, agregando valor ao vinho e fortalecendo a divulgação da vitivinicultura catarinense dentro e fora do Estado.




